A sacanagem

By Roberto Cordeiro

No Brasil, a palavra sacanagem entrou na ordem do dia. Nunca se sacaneou tanto quanto nos tempos atuais. Em Manaus (AM), coube ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificar de “sacanagem pura” as críticas mundiais contra o biocombustível. Irritado, Lula tratou de responder aos que apregoam que vai faltar alimento, pois as lavouras estão tomadas pelo plantio de cana-de-açúcar. Segundo o presidente, trata-se de malandragem pura de quem não tem competência de competir com o Brasil.
Senão, vejamos as sacanagens mais recentes, ou melhor, os sacaneados de última hora: flagrado com travecos, Ronaldo Fenômeno ainda não se livrou das gozações. Por onde passa, há sempre um cara para tirar onda dele. Pura sacanagem. E não pára por aí. Ainda no futebol, os flamenguistas sacanearam os botafoguenses após a conquista do bicampeonato carioca. Porém, os rubro-negros levaram o troco, quando passaram pelo vexame, em pleno Maracanã, de verem o time ser goleado pelo América do México.
Em Belo Horizonte, não foi diferente. O Cruzeiro, vencedor do Campeonato Mineiro, foi motivo de chacota quando da eliminação para o Boca Juniors, da Argentina. Mas teve cruzeirense que aplaudisse o escrete em pleno Mineirão, pois, afinal a derrota foi para o atual campeão da Libertadores.
E os palmeirenses? Após o time ter batido a Ponte Preta e conquistado o Campeonato Paulista, acabou alijado da Copa do Brasil pelo Sport. Os torcedores tiveram que agüentar tanta sacanagem de inventivos torcedores rivais do Porco, como é conhecido o alviverde de São Paulo.
Mas sacanagem mesmo é o que fazem com os recursos públicos. Os desvios de dinheiro do contribuinte para alimentar ONGs. Aliás, isso não é sacanagem… É crime. E os culpados deveriam estar atrás das grades. Esses criminosos estão matando as nossas criancinhas, os nossos idosos, a população em geral. Pois esses recursos deveriam servir para a saúde pública, a educação, a segurança…
No noticiário político, a sacanagem é ainda mais freqüente. Tem aquele senador da oposição que foi motivo de risos no dia em que a mãe do PAC compareceu ao Senado para esclarecer sobre o dossiê com os gastos do cartão corporativo levantados pelo Palácio do Planalto.
E um leitor chama a atenção para o fato de termos, em 2008, as eleições municipais. Votar certo. Escolher o candidato bem-preparado é uma missão quase que (im)possível. Com o título de eleitor em mãos, o cidadão terá condição de escolher aquele que irá nos sacanear menos? Não. Isso tudo é sacanagem pura. Ou como dizia o Delúbio: com o tempo todos esquecem e isso vai virar piada de salão.

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