A Petrobras é nossa ???

By Roberto Cordeiro

Os principais sítios destacam a notícia do valor de mercado da Petrobras: US$ 287,171 bilhões. Estudo feito pela empresa de consultoria Economática diz que a estatal brasileira ocupa o terceiro lugar no ranking, liderado Exxon Móbil (US$ 489,640 bilhões) e que tem a General Electric (US$ 320,253 bilhões). O assunto foi suficiente para mexer com os papéis da companhia petrolífera. Em um ano, as ações subiram 110%.
A avaliação foi feita tendo por base o preço das ONs e PNs na última sexta-feira. E o destaque nisso tudo é que pelo critério valor de mercado, a estatal vale mais do que a Microsoft (US$ 279,3 bilhões). Na lista das dez maiores está também a Vale (US$ 196,445 bilhões). A mineradora ficou com a nona posição.

Se levarmos em conta que a GE é do ramo de eletroeletrônicos, é correto afirmar que a Petrobras é a segunda empresa do setor de petróleo e gás do mundo. E como não há outra mineradora na frente da Vale, a mesma análise cabe para afirmar que se trata da empresa de mineração com o maior valor de mercado do mundo.

Há 11 anos a estatal Companhia Vale do Rio Doce passou para as mãos do capital privado por R$ 3,3 bilhões. O leilão do controle da União, ocorrido na Bolsa de Valores do Rio, nas imediações da Praça XV, transformou num clima de guerra. Ainda permanece na memória a foto de um manifestante chutando um senhor de terno que se dirigia ao prédio da Bolsa. Na época, os chamados radicais argumentavam que a empresa valia US$ 100 bilhões.

Após mais de uma década pergunto: quem tinha razão? Os avaliadores do patrimônio público ou os integrantes do movimento contrário à privatização? Podem até argumentar que a Vale passou por um banho de gestão, se modernizou, tornou-se mais competitiva, abocanhou outras companhias, fatos que asseguraram a elevação do valor de mercado. Tudo bem. Mas R$ 3,3 bilhões é troco perto dos quase US$ 200 bilhões.

E naquela mesma época incluíram as privatizações da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa. A petrolífera nacional teve algumas ações vendidas para trabalhadores com o uso do FGTS. Em outros movimentos, o mesmo correu com o BB. A Telebrás, agrupadas em holding, foi fatiada na mesma época. Passou para conglomerados privados.

Enquanto isso, outras notícias especulam a volta da CPMF. O governo ainda não engoliu a derrota no Congresso Nacional que sepultou a contribuição que rendia R$ 42 bilhões aos cofres públicos. Querem promover mais um ataque aos bolsos do contribuinte. E a reforma tributária enviado ao mesmo Poder Legislativo está patinando.

O impostômetro aponta que a população já pagou em impostos R$ 382,5 bilhões do primeiro dia de 2008 até segundos atrás. Com o dólar cotado a R$ 1,65 pode-se dizer que os cidadãos pagaram US$ 231,818 bilhões a título de carga tributária. Dinheiro suficiente para adquirir a Vale e devolvê-la a todos os brasileiros. E sobraria um troco para arriscar em outras empresas

 

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