Num ano de eleições municipais, a Justiça Eleitoral anunciou o cancelamento de 1.866.020 títulos de eleitores. Os Estados da Bahia e Minas Gerais lideram o ranking com os maiores números de documentos cancelados. Informações divulgadas no sítio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dão conta que 1.287.562 títulos foram anulados por revisão determinada pelo TSE e outros 578.458 foram excluídos por determinação dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
Esta decisão abrange 1.128 municípios cujo eleitorado era superior a 80% das respectivas populações. Para a Justiça Eleitoral, esse é um indicador da existência de “eleitores fantasmas”. Ou seja, votantes que moram em outras cidades, mas que permanecem ligados aos currais eleitorais e só aparecem às vésperas das eleições.
Há também argumento dos eleitores que deixaram suas casas e foram tentar a vida nos grandes centros. Então, excluindo estes casos típicos, ainda sobraram muitos “fantasmas”. E retornando ao ranking nacional, o TSE divulgou que na Bahia 677.790 eleitores perderam os respectivos títulos. Em Minas, 211.550 excluídos e, no Paraná, 128.948 cancelamentos.
A determinação da Justiça Eleitoral atingiu 24 estados. De acordo com somente no Amapá e em Roraima – dois ex-territórios – não houve cancelamentos de títulos. Isso me soa estranho. São dois currais eleitorais. Em Roraima, por exemplo, muitos moradores são oriundos do Estado do Maranhão. No Distrito Federal – que não tem eleições municipais – também não ocorreu cancelamento de título.
Já na outra ponta da política, uma vergonha. A Justiça Eleitoral decidiu manter na disputa aqueles candidatos “sujos”. Ou seja, não haverá uma limpeza entre os postulantes com ficha policial. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) levantou a voz contra essa determinação. O argumento é o amplo direito de defesa. Quer dizer: bandido pode continuar se candidatando, roubando, se candidatando…
O Jornal Nacional mostrou na noite passada um exemplo que deveria ser varrido da vida pública. O prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani, flagrado numa empresa de ônibus repartindo dinheiro de propina. A quadrilha agia nas autorizações de reajustes das passagens dos ônibus. Parte do lucro era dividida entre o prefeito, que autorizou três aumentos de tarifas, e os empresários. Bejani está preso. A notícia que chega daquela cidade conta possível renúncia dele do cargo. É um escândalo.
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