Archive for 14 de maio de 2008

Vai entender de política… (Uma salada de frutas!!!)

maio 14, 2008

Vou até o quiosque mais perto do trabalho. No estacionamento, um adesivo anuncia: PSC é 20. Roriz é 10. Pensei: estão ressuscitando o ex-governador e ex-senador Joaquim Domingos Roriz (15 seria melhor, o número do PMDB). Coisas da política, ou melhor, de política em Brasília. Essa manifestação democrática me leva a entender que já existe movimento querendo a volta do velho político (não confundir com político velho). Como dizia lá em Minas, uma raposa…mas não aquela da toca.

E qual a explicação que melhor caberia a este simples adesivo? Enfraquecimento do governador José Roberto Arruda (DEM), cujo número é 25. Ou a saudade dos cabos eleitorais pelo emprego fácil. E eu mais uma vez me pergunto: no governo Arruda o emprego é difícil? Apenas uma visão de ótica, ou de ponto de vista. E o leitor não deve ficar confuso para tanta confusão. Política é assim, meio confusa, sabe, sei lá, entende?

Duas notícias povoam os sítios neste meio de tarde. A primeira delas é que o projeto de lei que aumenta para seis meses a licença maternidade subiu mais um degrau. Da cabeça da senadora Patrícia Saboya, essa benesse saiu do papel na chamada Câmara Alta tupiniquim e já encontrou respaldo na outra Câmara, a baixa… Seis meses em casa é muito tempo? Uma repórter de TV justifica: esse período é suficiente para que a mamãe sustente o filho com o leite materno.

Para as mães nordestinas de baixa renda (não é preconceito), conceber uma criança significa aumentar a renda. Claro! Tem o Bolsa-Família. A cada bacuri, mais recurso público. É a verdadeira cadeia alimentar. E essas crianças serão futuros (e) leitores da ministra Dilma Roussef, a mãe do PAC.

As empresas estão prevendo retração nas contratações de trabalhadoras. Como uma micro ou pequena empresa poderia se manter, por exemplo, se as poucas funcionárias engravidassem numa mesma época? É um caso a se discutir. A criação de creches nos locais de trabalho seria solução. Talvez. Mas qual MPE teria recursos para esse atendimento. A reivindicação é justa, mas onerosa.

Então, busco exemplos em outros países. Nos Estados Unidos, a trabalhadora tem direito a 12 semanas de licença. Na Alemanha, 14 semanas e, na Bélgica, 15 semanas. A Suíça, pasmem, apenas oito semanas. Agora, o exemplo de bondade ocorre mesmo na Suécia. Lá, papai e mamãe fincam três meses em casa. Depois, eles podem se revezar no trato ao pimpolho. A condição é que não ultrapassem os 480 dias. Ou seja, 16 meses.

A outra notícia é que deu Carlos Minc na cabeça. E mais uma vez me questiono sobre a tamanha influência do governador Sérgio Cabral Filho na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Minc, esse “ecochato” urbano, que ganhou a vida na política colocando batatas nos canos de descarga dos ônibus do Rio, enfim, aceitou o convite e será alçado ao cargo do ministro do Meio-Ambiente (opa!!! Meio Ambiente).
Minc, que já foi verde (PV) e milita no PT, que é da base do governador Cabral do PMDB, chegou a sinalizar no exterior (conforme me conta uma leitora assídua) que declinaria do convite. Mas aceitou. E houve quem sugerisse que o melhor para Minc seria o lugar do Gilberto Gil, no Ministério da Cultura (o verdadeiro MinC).

E nessa salada de frutas que se transformou a política brasileira, deparei outro dia com o PV do DF no horário gratuito (que nada, quem paga é o contribuinte) defendendo Arruda com unhas e dentes. E na campanha para o governo local, o PV era aliado do PT de Arlete Sampaio. Pode uma coisa dessas???

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Marina se libertou!

maio 14, 2008

A data não poderia ter sido melhor: 13 de maio. No Brasil, os sítios tocavam em assuntos referentes à Lei Áurea. Como ocorrem todos os anos nesta data há sempre uma pesquisa pronta saindo do forno para as comparações. Uns dizem que há mais negros do que brancos no Brasil. Outros comentam a desigualdade salarial. Outros ainda contam as dificuldades pelas quais passam os da raça negra para chegarem ao topo das grandes empresas.

O dia parecia acabar nesta mesmice quando surgem as primeiras informações sobre a carta que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, havia encaminhado para o Palácio do Planalto com o pedido irrevogável para deixar o governo. Liderança reconhecida mundialmente pela defesa da Amazônia, região que conhece tão bem desde os tempos de Chico Mendes, assassinado barbaramente em Xapuri, no Acre, Marina se libertou. Livrou-se das amarras do governo que a colocou, neste tempo todo, na “senzala” do esquecimento. Foi mais uma vítima da fritura em fogo brando da Esplanada dos Ministérios.

Não quero, aqui neste blog, tomar partido do grupo político de fulano ou de beltrano. A notícia, que para muitos foi uma surpresa, deve ter sido bastante comemorada nos latifúndios do nosso Brasil. Afinal, Marina comprou muitas brigas. De saúde frágil, a doce mulher tomou decisões firmes contra crimes ambientais. E se o povo não se sensibilizou, a natureza será eternamente grata por isso.

Tenho uma posição bastante clara sobre as catástrofes que ocorrem mundo afora. O homem, agressor contumaz do meio ambiente, despeja todos os dias milhares e milhares de toneladas de lixo (isso para não dizer outras coisas). Os governos promovem testes nucleares. Empresas avançam sobre as margens de rios em busca de terra para ampliar suas construções. E o resultado disso tudo: um dia a natureza cobra esta conta. Vem com toda força para cima de nós. São enchentes, terremotos, furacões que desalojam e matam milhares de cidadãos.

No Pará, território de ninguém, os conflitos são constantes pela posse de áreas com o objetivo de derrubada da madeira bem na floresta tropical. O pulmão do mundo enfraquece. Trava-se uma disputa nos bastidores. Vencem os poderosos. É guerra quase silenciosa, pouco perceptível aos moradores do Sul, é apenas mais um capítulo daquilo que se tem feito com o Brasil.

Na mesma região, em Roraima, numa imensa área chamada de Raposa Serra do Sol se constata mais um embate. Ações da Polícia Federal, prisões de grileiros, atentado contra os índios. Todos os ingredientes têm servido para sustentar a mídia nacional e com algum impacto em redações no exterior. Marina se foi. Deve ser substituída pelo “guerrilheiro” Carlos Minc, defensor das causas ambientas urbanas do Rio de Janeiro.

Dentro dos próximos dias – se for confirmada a nomeação de Minc – devemos ter posse no Planalto. .Mobilização de ONGs que apóiam o secretário fluminense. Menos frágil do que Marina, ele deve saber do pepino que está pegando. Das novas brigas que terá pela frente. Ceder ou não ceder às futuras pressões será a grande questão. Ou então acabará na mesma frigideira, com óleo de soja (pois os outros óleos estão tão caros), em fogo brando. E assim se destrói a biografia das pessoas.