O legista e o ibope

Essa confusão do caso Isabella parece mais confusa ainda. A polícia de São Paulo apresentou laudo, fez inclusive a reconstituição da morte da menina no Edifício London e concluiu que foram Alexandre Nardoni (pai) e Anna Carolina Jatobá (madrasta) os assassinos. A Justiça decretou a prisão do casal. Ana Carolina (a outra), mãe de Isabella, em entrevista ao Fantástico disse não ter dúvida de que Nardoni e Jatobá têm culpa no cartório.

Alexandre e Anna Carolina permanecem presos. Tentativas de se obter habeas-corpus foram em vão. Então, como se tivesse tirado uma carta da manga da camisa, a família Nardoni contrata o médico-legista George Sanguinetti, de Alagoas, profissional conceituado que contestou os exames cadavéricos de Paulo César Farias (ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello) e a namorada Suzana Marcolino.

Sanguinetti contestou Badan Palhares. E desmontou toda argumentação do assassinato de PC Farias. Agora, o mesmo Sanguinetti, contratado pelos Nardoni, tenta provar que parte daquilo que fez a perícia de São Paulo deve ser jogada no lixo. “Os documentos que embasaram a investigação possuem erros grosseiros”, teria declarado o médico-legista.

Isso seria uma reviravolta no caso Isabella? Será que por causa do afogadilho a perícia terá de ser refeita? Por qual motivo o juiz que decretou a prisão de Nardoni e Jatobá acreditou naquilo que foi apresentado pela perícia de São Paulo? Será que o caso da prisão teve como ingrediente a comoção nacional? Quais serão os próximos capítulos desta novela que já deu o que falar, mas que retorna aqui em função das revelações do doutor Sanguinetti? Assistam no Fantástico? Vejam o furo de reportagem no JN? No Jornal Hoje? No Jornal da Globo? Ou em outra emissora de televisão?

Isso está parecendo aquele caso das pesquisas de opinião feitas sob encomenda para políticos que estão em campanha. O candidato xis contrata um instituto e sabe qual é o resultado? Se as eleições fossem hoje, ele estaria eleito. O candidato y também firma contrato com outra empresa e ao final chega-se a conclusão que, se as eleições fossem hoje, Y estaria eleito.

Conclusão: sempre quem contrata – pelo menos em tese – tem a preferência dos pesquisados. Depois, quando chegar próximo à votação, os ajustes são feitos. As diferenças caem. Mas o certo são os votos depositados nas urnas pelos eleitores. Os números permitem qualquer leitura. Podem ser então manipulados? Claro. Se não existe uma entidade fiscalizadora, aos olhos dos “especialistas”, tudo é possível.

Então, seria correto concluir que os peritos de São Paulo tinham a certeza da incriminação de Nardoni e Jatobá e seguiram nesta tese quando da realização do trabalho e vão brigar pelos laudos até o último minuto do julgamento. E Sanguinetti entra em cena para tentar “desmoralizar” os profissionais da lei apontando falhas, erros, etc e tal.

Assim como nas pesquisas de opinião pública, cujos eleitores decidem por meio do voto que será o escolhido, será que esse embate final vai ser definido pelos jurados quando o casal for levado ao Tribunal do Júri? Acompanhem as cenas dos futuros capítulos…

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4 Respostas to “O legista e o ibope”

  1. Elton Pacheco Says:

    Com esse nome, com essa cara e, principalmente, com esse currículo, eu não duvido nada de que Sanguinetti dará seu sangue (!) para inocentar esses doias…

  2. Marco Says:

    Não devemos subestimar os peritos oficiais que cuidaram do caso. Mas não devemos subestimar Sanguinetti também.
    Acho que, se realmente, a perícia tiver sido bem feita, como a polícia tem afirmado, nenhuma tentativa de refutação dos laudos terá sucesso.
    Entretanto, caso a perícia não tiver sido feita de forma correta, como alega Sanguinetti, a polícia e a promotoria deverão rever sua linha de pensamento.
    Está muito difícil para o casal. Todos os indícios levam a concluir que o casal seja culpado pelo crime. Parece óbvio. Mas, por outro lado, indícios não são provas. Portanto, podem estar sujeitos uma contestação técnica, desde que, bem elaborada. Além disso, Há vários casos relatados em todo o mundo, através de literatura especializada em investigações criminais, de supostos criminosos, acusados de forma contundente, onde todos os indícios apontavam para sua culpabilidade, que na verdade, eram inocentes.
    O confronto de idéias pode ser a peça fundamental para a elucidação deste crime.
    Vamos esperar que, aquele(s) que realmente for/em o(s) culpado(s), pague/m de forma exemplar, por esta barbaridade.

  3. Ana Maria Says:

    Para mim temos que querer justiça e com esta história do policial que tanto se falou na internet como tenente respeitado e este foi o estupim da desconfiança da polícia pois declarou que o alexandre teria visto o ladrão e não confirmado em depoimento causando as famosas contradições, estou disposta a me ajoelhar no milho e perdir perdão por ter julgado antecipadamente. Toda a sociedade brasileira e mais o promotor e polícia tem que querer a verdade e não cruxificar inocentes.
    Tomara que o Dr Sanguinetti esteja certo e tomara que alguém do meio do tenente conte alguma coisa e se ache o assassino.

  4. marcelle Says:

    Para mim, qualquer coisa que o Sanguinetti falar nao serah valida por um unico motivo- ELE NAO VIU O CADAVER.
    Se ele mesmo diz que o corpo conversar com o legista e diz o que aconteceu, como, entao, ele pode afirmar o que esta falando se o corpo nao conversou com ele?
    Quanto ao sangramento, Sanguinetti insiste que era um corte muito pequeno mas, em nenhum momento ele diz a profundidade do corte e se pegou uma veia. Alguem esclareceu sobre isto? Quao profundo era o corte??
    Um outro ponto tbem contra este legista eh a forma com que ele chegou em SP. Mesmo sabendo que a cidade estava em luto, que as autoridades estavam trabalhando horas seguidas para dar uma satisfacao para a sociedade; o Sr. Sanguinetti chega desrespeitando o luto do povo, tomou uma atitude completamente sem etica perante todos os profissionais de SP e a cima de tudo, nao teve pudor quando falava do corpo de Isabella. Se referia ao corpo da menina como se tivesse falando de um objeto sem nenhum significado.

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