O escândalo da vez…

Costumo dizer que em algum lugar de Brasília existe um armário repleto de casos bombásticos que vão sendo retirados das prateleiras ao gosto do freguês. Após sepultar a CPI dos Cartões Corporativos, a bola da vez é o caso da venda da VarigLog para um fundo americano. A VarigLog é a parte boa para voadora Varig que foi vendida na esteira da falência da companhia aérea.

E mais uma vez o tiroteio tem como alvo principal da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que teria impedido, entre outras coisas, a Infraero de contestar a negociação. Dilma já esteve na alça de mira do escândalo dos cartões corporativos volta às páginas no caso Varig.

E toda a confusão vem à tona com a entrevista da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) Denise Abreu, aquela flagrada numa festa de casamento em Salvador (BA) com um charuto em punho na mesma ocasião em que milhares de passageiros mofavam nos aeroportos em conseqüência da crise do setor aéreo.

Numa entrevista a uma emissora de rádio gaúcha, Dilma alegou tratar-se de “fogo inimigo”. A ministra acusou articulações de pessoas que querem intimidá-la jogando merda no ventilador. Neste mesmo instante em que as revelações de Denise vêem à tona, um magistrado pede a instauração de inquérito para averiguar possível envolvimento da ministra e sua auxiliar Erenice Guerra.

Uma constatação: Dilma Rousseff ganhou notoriedade ao substituir José Dirceu num dos mais importantes postos da República. Ao trocar o Ministério de Minas e Energia pela Casa Civil, a ex-guerrilheira passou a ser o centro das atenções e motivo para tanta guerra. Isso é uma questão que deve ser levada em consideração quando da análise dessa disputa nos bastidores do poder.

Ao mesmo tempo, outra notícia – que ainda se encontra nos armários – deve ganhar novo espaço se o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir o julgamento de ação na qual a Varig pede compensação por perdas tarifárias em função de planos econômicos do governo federal. Neste processo, cujas portas foram abertas pela finada Transbrasil, a companhia está prestes a ganhar uma bolada de R$ 7 bilhões. 

Quando o assunto estava no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com sentença favorável à Varig, foi apresentada uma proposta intermediária que pudesse resolver o ‘esqueleto’ do setor aéreo. A idéia consistia basicamente em uma fórmula matemática na qual reembolsaria as empresas aéreas, mas com um belo deságio. Ou seja, a dívida de R$ 7 bilhões poderia ser paga naquela altura do campeonato com uma significativa redução. O erário economizaria alguns bilhões de reais.

E o que se viu foi o governo bater pé e dar para traz. Sem acordo, o processo seguiu em frente até alcançar as portas do STF. Esse ‘escândalo’ vai levar dos cofres públicos uma bolada. É assim que os governantes agem com o dinheiro de todos os brasileiros. Empurram com a barriga uma responsabilidade sob o argumento de que não foram eles os causadores do problema. E olha que na esteira da Varig vêem outras voadoras: Rio Sul, Nordeste e TAM.

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