O Brasil de Obama

A obamania que varre os Estados Unidos de norte a sul, de leste a oeste, está contagiando os brasileiros. Cada vez mais se vê com freqüência nos debates, nas conversas entre os amigos, o tema eleição para a sucessão do presidente George W. Bush com foco no senador Barack Obama, do Partido Democrata. E uma prova disso pode ser verificada nas livrarias do Brasil. Surfando na popularidade, os marqueteiros colocaram em exposição, bem na entrada das lojas, os dois livros conhecidos do senador negro: A audácia da esperança e A origem dos meus sonhos.

E as duas publicações estão acompanhadas da última edição de VEJA que estampa Obama na capa. Chego a questionar: qual mudança teria ocorrido para que mais e mais cidadãos deste nosso país tenham tanto interesse numa disputa que ocorre em território americano. Acredito que não há na nossa história recente tamanha visibilidade pelo que está acontecendo na América do Norte. Nunca tantos brasileiros se interessaram pela política americana.

Nos livros de Obama, o senador por Illinois mostra algum conhecimento do Brasil. Ele sabe a importância que tem o país neste equilíbrio de forças no continente latino-americano. Então, Barack Obama não é tão neófito assim. E ontem a Folha Online reproduz entrevista dele sobre questões que dizem respeito ao mundo. E o Brasil está entre os temas de interesse. O mesmo assunto tratado no livro e na reportagem do jornal chileno El Mercúrio diz respeito à preocupação com as chamadas energias limpas.

Se o leitor estiver com pouco tempo para (clique aqui) ir ao sítio da Folha, reproduzo a íntegra do texto mais abaixo. Obama fala de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e dos irmãos Castro, de Cuba. Embora reconheça em Chávez uma ameaça para os Estados Unidos, o candidato da considera uma “ameaça administrável”. É uma estratégia importante. Um dos mais importantes conselhos que se dá é o seguinte: se você tem um inimigo, não o deixe distante de você. Mantenha-o o mais próximo possível.

Então, acho que em breve Barack Obama concederá entrevista para a mídia brasileira. Muitos correspondentes em Washington devem estar na tentativa. Enquanto isso não acontece, somos brindados por uma charge. Nela, o senador aparece ao lado de Hillary Clinton com uma dúvida cruel:qual vice escolher? Sorria bastante. Caminhamos para um mundo melhor.

A seguir, a prometida entrevista:

Obama diz que gostaria de ajudar Brasil a buscar energias limpas

Colaboração para a Folha Online

O provável candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, afirmou que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é uma “ameaça administrável” para a segurança dos norte-americanos e mostrou interesse em se aproximar do Brasil visando formas mais limpas de energia.

“Sim, acredito que seja uma ameaça, mas uma ameaça administrável”, disse Obama, ao ser questionado sobre se Chávez representava uma ameaça à segurança nacional dos EUA e ao restante do continente.
Em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal chileno “El Mercurio”, Obama também se disse aberto a dialogar com os “nossos inimigos em Cuba e Venezuela”, caso seja eleito em novembro.

A política externa de Obama é marcada pela sua proposta de diálogo aberto com os países tido como inimigos históricos dos EUA. Ele foi, inclusive, muito criticado por seu rival, o republicano John McCain, por propor diálogos sem restrições com os governos.

O senador disse ainda que o México será sua prioridade na América Latina e que sugerirá uma reforma na política migratória já em seu primeiro ano de mandato.

“Sabemos, por exemplo, que ele pode ter tido envolvimento no apoio às Farc [a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], prejudicando um país vizinho. Esse não é o tipo de vizinho que desejamos. Acredito ser importante, por meio da Organização dos Estados Americanos [OEA] ou da Organização das Nações Unidas [ONU] adotar sanções indicando que esse tipo de comportamento é inaceitável”, afirmou, na entrevista concedida em Denver.

Relações

Obama nunca viajou a América Latina, contudo, defende posturas firmes de negociação com os países. “Há uma conexão natural entre os Estados Unidos e a América Latina. Quando acabar a Guerra do Iraque, poderemos voltar a enfocar nossa atenção à região”, afirmou.

Na lista de propostas para estreitar as relações, está uma diplomacia direta com a Venezuela e com os demais países do mundo. “Eu daria início a negociações como os nossos inimigos de Cuba e da Venezuela. Eu cancelaria as restrições de viagem aos que possuem familiares em Cuba. E quero unir-me a países como o Brasil para buscar formas mais limpas de energia”, afirmou.

Contudo, as relações diplomáticas não serão tão fáceis quando se trata de acordos de livre-comércio. “Aprovei o Tratado de Livre Comércio com o Peru, mas me oponho ao da Colômbia até termos certeza de que líderes sindicais não estão sendo mortos ali. É preciso colocar fim a esse tipo de ação paramilitar”, defendeu.

No começo de abril, Obama confirmou sua oposição ao TLC, mesmo diante da pressão do presidente George W. Bush para aprovar o acordo no Congresso. “A violência contra os sindicatos da Colômbia ridiculizaria as proteções de trabalho que insistimos que se incluam nesse tipo de acordo”, afirmou, à época.

O provável candidato é ferrenho crítico dos acordos comerciais –assim como os operários dos Estados industriais norte-americanos que culpam os acordos pelo fechamento das fábricas e os altos índices de desemprego.

Muro e os eleitores

Falar sobre relações mais estreitas entre os EUA e a América Latina pode ser uma tática de Obama para conquistar os importantes eleitores hispânicos –que durante as primárias votaram em massa pela ex-pré-candidata Hillary Clinton.

Uma explicação para o pequeno desempenho de Obama entre estes eleitores, escreve o jornal, pode ser a votação de Obama no Congresso a favor da construção do muro de 1.100 quilômetros na fronteira dos EUa com o México, como forma de evitar a imigração ilegal.

“Quero saber primeiro se funciona. Creio que há algumas áreas em que há sentido e pode salvar vidas, se prevenirmos que as pessoas cruzem áreas de deserto que são muito perigosas”, disse Obama, perguntado sobre se derrubaria o muro, caso fosse eleito presidente.

“Creio que só tem a ver com o fato dos latinos me conhecerem menos do que conhecem a senadora Clinton”, explicou Obama, sobre seus resultados fracos entre este eleitorado. Ele ressalta que estes eleitores podem não saber que ele apoiou, como senador por Illinois, as políticas favoráveis à comunidade latina de Chicago, como os esforços para legalizar os imigrantes ilegais.

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