Corpo de dona Ruth será enterrado em SP

Foi intenso o movimento na tarde desta quarta-feira (25 de junho ) na Sala São Paulo, onde acontece o velório do corpo de dona Ruth Cardoso, 77  anos, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O corpo será sepultado na manhã desta quinta-feira (26 de junho ) no Cemitério da Consolação, no Centro de São Paulo. Dona Ruth faleceu ontem à noite em sua residência vitima de arritmia grave decorrente de doença coronariana, segundo nota médica.

 

O presidente Lula esteve no local acompanhado de alguns ministros. Eles chegaram por volta das 17h20 acompanhados pelos ministros Fernando Haddad (Educação), Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação Social), Hélio Costa (Comunicações), Mucio Monteiro (Relações Institucionais), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Edson Lobão (Minas e Energia), além da senadora e ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente), e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

 

Políticos e amigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já passaram pelo velório. Entre eles o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), o ministro Orlando Silva (Esporte), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o deputado Paulo Maluf (PP-SP), a petista Marta Suplicy, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), além de secretários municipais e líderes partidários.

 

“Ruth foi uma mulher espetacular. É um exemplo para as mulheres que estão na vida pública”, disse Maluf. “Estou muito sentida. Tinha muito respeito pela Ruth. Ela era uma intelectual brilhante, era muito respeitada em sua área. Como feminista, participamos por muitos anos de um grupo. Ela tinha consciência e ajudou seu marido como primeira dama, como não gostava de ser chamada”, destacou Marta.

 

Aécio falou da relação de Ruth com FHC. “Conversavam sem precisar de palavras.”

“A morte dela foi um impacto, uma surpresa para todos. A imagem que vai ficar é a de uma primeira dama que não sumiu na sombra do presidente da República. Ela tinha identidade, opinião, sentido e rumo para as coisas que dizia”, afirmou o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE). “O partido todo sempre teve nela uma referência. Ela honrava o partido e era uma pessoa exemplar. Foi um exemplo de dignidade. Essa foi uma marca muito forte dela”, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

 

“O papel que ela teve foi de modernizar a política de assistência social no Brasil, revendo o papel um pouco do governo e fazendo com que o governo não fosse apenas um intermediário entre os necessitados e também a disposição da iniciativa privada e setores internacionais. Foi exemplar como primeira dama embora não gostasse muito dessa função”, destacou o deputado federal Fernando Gabeira (PV).

 

“Perdemos uma grande primeira dama. Uma estudiosa que levou à frente um programa de grande alcance, que foi o Comunidade Solidária. Por isso mesmo, poderia ter maior visibilidade graças ao seu preparo e sua inteligência, mas ela preferiu ficar muito na retaguarda ajudando o presidente em termos de aconselhamento. Se constitui em uma perda para todos nós”, disse o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Fernando Henrique também recebeu telefonemas de Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, e da mulher dele, a senadora Hilary Clinton, do rei Juan Carlos, da Espanha, do cardeal dom Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, e do senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Política

 

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decretou luto de três dias no Estado. Após a confirmação da morte, o tucano foi até o apartamento de FHC, em Higienópolis, para prestar solidariedade ao ex-presidente.

 

“A Ruth era uma pessoa muito especial, para sua família, para seus amigos, para nosso país. Um exemplo de dignidade, delicadeza, inteligência e carinho pelas pessoas. É uma dor imensa a que sinto nesse momento”, disse o governador, durante visita ao apartamento da família.

 

Com a morte da ex-primeira-dama, o PSDB cancelou a sessão solene que estava marcada para hoje, às 11h, no Senado, para marcar os 20 anos de fundação do partido.

Para ele, “os brasileiros ficaram sem a presença de uma mulher generosa, forte e combativa, que sempre sonhou com um país mais solidário, rico e justo”. “A Ruth Cardoso fará muita falta. Ela era muito querida e presente no partido”, disse.

 

O presidente Lula também divulgou nota lamentando a morte da ex-primeira-dama. Ele disse que recebeu a notícia “com surpresa”, além de afirmar que a morte de Ruth Cardoso representa uma “grande perda” para o país.

 

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) também decretou luto oficial de três dias no município.

 

Carreira

 

Nascida em 19 de setembro de 1930 na cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, Ruth Correa Leite Cardoso foi professora de Antropologia e Ciência Política na USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em São Paulo.

 

Bacharel em ciências sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, a ex-primeira-dama se casou em 1953 com Fernando Henrique, com quem teve três filhos.

 

Em 1972, recebeu o título de doutora em Antropologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Anos depois, concluiu pós-doutorado na Universidade de Columbia em Nova York e também foi professora em universidades americanas e inglesas.

 

Durante o mandato de FHC (1995-2002), dona Ruth fundou o projeto Comunidade Solidária em 1995, uma ação de combate a pobreza e a exclusão social. Atualmente, fazia parte do conselho diretor da Oscip (organização da sociedade civil de interesse público) Comunitas, criada para para dar continuidade aos projetos do Comunidade Solidária.

Entre seus cargos de destaque, presidiu o conselho assessor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre Mulher e Desenvolvimento, foi membro da junta diretiva da UN Foundation e da Comissão da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre as Dimensões Sociais da Globalização e da Comissão sobre a Globalização.

 

Tornou-se uma das principais referências sobre antropologia no país, tendo escrito diversos livros sobre temas relacionados, como juventude, violência e cidadania.

 

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