O Fluminense e a Justiça do Trabalho

Dona Creusa, a minha mãe, uma pacata senhora que reside no interior norte do Estado do Rio, não entende de futebol. Ela é como a jornalista Cora Rónai, de O Globo, que esteve pela primeira vez no Maracanã para assistir ao jogo Fluminense e LDU, aquela que teria sido a mais importante partida de futebol da história do Fluzão, capaz de colocar os jogadores e a comissão técnica na história do Tricolor das Laranjeiras. Porém, não foi bem assim.

Sabedora do fanatismo do filho pelo Fluzão, dona Creusa até se animou a acompanhar o jogo de sua casa, pela televisão, na noite da última quarta-feira (2 de julho). Mas foi dormir mais cedo. Não agüentou ao término da partida. Viu alguns lances da maravilhosa festa da torcida que incendiou o Estádio Mário Filho. [Meu pai, já falecido, torcia para o Flamengo].

Assim como Rónai, dona Creusa não entendeu, no dia seguinte, o motivo de o Fluminense ter vencido por 3 a 1 e não ser o campeão da Taça Libertadores 2008. Os 30 minutos de prorrogação e a decisão na marca da cal foram frutos de uma inversão das regras que valeram durante toda competição, mas não para a decisão. Ou seja, na final os gols marcados fora não valeriam para o critério de decidir o campeão.

Então, peguei uma tabela com os jogos do Fluminense na Libertadores. Desde a primeira partida, no dia 20 de fevereiro, com a mesma LDU, ocorreram 14 confrontos. Foram nove vitórias, três derrotas e dois empates. O time marcou 25 gols e sofreu 14. Dos 52 pontos em disputa, o Fluminense conquistou 29. Ou seja, fez a melhor campanha. Ganhou e não levou. [Esses números não são desculpas para justificar a perda da Libertadores].

Agora, vejamos o embate, que os jornais cariocas estão chamando de “fogo amigo”, entre o coordenador técnico Branco – do Fluminense – contra o próprio clube. Ele recorreu à Justiça do Trabalho e obteve a penhora da renda do jogo Flu e LDU. O bloqueio foi algo perto de R$ 2,8 milhões (a renda da partida, recorde na história, ficou em R$ 3,9 milhões).

Isso teve origem em 1994, quando Branco vestiu a camisa da seleção brasileira nos gramados dos EUA. Branco diz que não será o vilão desta história. Afirma que todos tinham conhecimento desta “batalha” na Justiça. Claro. O direito dele é líquido e certo. Se a diretoria não o pagou naquela ocasião, Branco tinha no Judiciário Trabalhista o caminho para reaver aquilo que julga ser o seu quinhão.

Então, coloco-me à pensar. Somente isso. Alguns instantes de reflexão. Se a CBF repassou o dinheiro à diretoria do Fluminense para que fosse entregue ao Branco, por qual motivo isso não aconteceu? Um desmando? Olha, isso foi em 94, portanto, há 14 anos. E como demora tanto tempo para resolver uma questão destas? O Judiciário é assim. Pesado. Um paquiderme.

E corre o risco de Branco ter o mesmo destino do Fluminense. Ganhar e não levar. Não ver a cor do dinheiro. A renda foi penhorada. Mas ainda cabem recursos? Não teria sido melhor uma conciliação? E porque não conciliar? Nesta bolada deve haver uma gorda fatia para os advogados. Aliás, alguns advogados engordam as contas nesta matemática.

Uma causa de pequena monta pode render milhões. Exemplos existem aos montes. Um caso emblemático ocorrido no Rio no século passado foi a milionária indenização do INSS aos “trabalhadores” escolhidos nos postos da Previdência Social para receberem uns trocados que se transformaram num dos mais sofisticados “assaltos” aos cofres públicos.

E assaltar o erário é coisa que se aperfeiçoa país afora pelas quadrilhas especializadas em “roubar” o Tesouro. Isso ocorre com a conivência de maus servidores públicos, aqueles que vislumbram carros, apartamentos de luxo, viagens internacionais e outras “propinas”. São assassinos de criancinhas, de idosos, da população de um modo em geral.

E as brechas encontradas no Poder Judiciário permitem que isso role mais algumas décadas. O exemplo mais recente é o julgamento daquelas pessoas envolvidas no mensalão. O STF deve levar vários anos para concluir todo o processo. Isso ocorrerá porque pelo fato de alguns réus serem parlamentares, o caso foi direto para a última instância. Se a ação originasse na Justiça comum, demandaria mais tempo ainda.

Enquanto não há condenação, não há como puni-los. Eles continuam a circular, a gravitar, nos bastidores do poder. Devem estar “transferindo” tecnologia para os próximos “golpes” que serão desferidos contra o dinheiro do contribuinte. Aliás, dentro do armário da Polícia Federal devem existir outras investigações de crimes que continuam em prática pelos quadrilheiros. Não seria melhor fechar o país para um balanço? Aproveitem o ano eleitoral…

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Uma resposta to “O Fluminense e a Justiça do Trabalho”

  1. Elton Says:

    Como diria minha professora de inglês, “too hard to understand…”

    Fico com Dona Creusa e Cora Ronai, “Muito dificil para entender”.

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