Algemas da discórdia

Um dos pontos centrais desse debate sobre a “espetacularização” da Operação Satiagraha é exatamente a utilização das algemas contra presos indefesos, coitados. Confesso que por um bom tempo concordei que tal situação era constrangedora. Imagine um engravatado sendo conduzido para a cadeia com um par de argolas nos punhos?  E o ladrão de galinha? Ele também recebe o mesmo tratamento?  Ou seriam dois pesos e duas medidas?

Com esse detalhe em segundo plano, recebo uma explicação plausível para o uso das algemas. Quando a polícia detém um determinado cidadão, ele passa à custódia do Estado. Ou seja, daquele momento em diante, tudo que venha a acontecer contra aquela pessoa é da responsabilidade do Estado. Sem a imobilização, segundo especialistas, o preso poderia reagir. Fugir. Ou coisa do gênero.

O que choca as autoridades é exatamente a exibição das imagens. Claro. Se as cenas não fossem mostradas na televisão ninguém do poder reagiria ou teria motivo para tamanha ferocidade. Indignação. Então, acrescenta-se ao fato um ingrediente: tal emissora soube da operação, foi lá e filmou tudo. Mas a operação não havia sido anunciada? Ela não era eminente? E por qual motivo outras emissoras não investiram no assunto? Talvez esperassem pelo convite?

E quando a polícia prende um ladrão de galinha, algema-o e as fotos são também publicadas? Quem o defende? Isso pode ser considerado um espetáculo? Não faço aqui a defesa daquele que rouba galinha e tão pouco dos engravatados que roubam milhões. Algemas são utilizadas pela polícia mundo afora.

O noticiário desta terça-feira (15 de julho) ainda sustenta o embate entre os Poderes. A Operação Satiagraha ainda é o foco da questão. Ontem à noite, o Jornal Nacional revelou ao país trechos de conversas entre pessoas combinando pagamento de propinas à equipe do delegado Protógenes Queiroz. O tráfico de influência palaciano, também.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, informou que a Corte Suprema recebe pedidos de liminares em habeas corpus feitos por presos comuns. Talvez tenha sido uma tentativa de justificar que o STF dispensa o mesmo tratamento para os que cometem pequenos delitos e aqueles que são suspeitos de assaltos milionários. O que não se sabe é a velocidade da decisão de pedidos para os encarcerados por crimes comuns.

O Poder Legislativo quer ir fundo na questão dos grampos. Estão propondo novos depoimentos num Congresso Nacional em pleno recesso (ou esvaziado). Aí sim teremos um novo espetáculo. Câmeras ligadas. Flashes. Muitos flashes. Isso podia se transformar num enredo de novela: Algemas da discórdia…

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Uma resposta to “Algemas da discórdia”

  1. DARCI M.OLIVEIRA Says:

    O STF ESTA NA CONTRAMÃO PRESERVANDO EXATAMENTE O QUE A SOCIEDADE DESEJA EXTINGUIR- (OS CRIMINOSOS PRINCIPALMENTE OS CORRUPTOS E CORRUPTORES AGENTES DA PIOR DOENÇA QUE AFETA A SUSTENTABILIDADE NO MUNDO, MATA MILHÕES DE CRIANÇAS E IDOSOS E DEVERIA SER COMBATIDA COM MAIS VIEMENCIA E RESPONSABILIDADE.

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