Kleiton & Kledir empolga platéia no SESI Taguatinga

Por Patrick Selvatti e Roberto Cordeiro

Fotos: Cristiano Costa

Kleiton chegou cedo ao Centro Cultural SESI Taguatinga. Ainda no hall do teatro, misturado a anônimos fãs, ele não escondia a emoção de ficar frente a frente com a dupla que embalou o romance dos pais nos anos 80. Do útero da mãe até aquela noite de quinta-feira, de um clima quente, passaram-se 25 anos. No interior do teatro, bem na fila do gargarejo, sentiu o coração bater mais forte quando a atriz Maria Carolina, do grupo Teatro do Concreto, fez a narrativa do currículo daquela que seria a atração da noite: “Senhoras e senhores, Kleiton e Kledir”. Abriram-se as cortinas.

Aos primeiros acordes da música “Canção da Meia Noite” (Quando à meia-noite me encontrar junto a você / Algo diferente vou sentir / vou precisar me esconder / Na sombra da lua cheia / este medo de ser / Um vampiro, um lobisomem, um saci-peperê…), o menino realizava um sonho. E até aquele momento, o Kleiton famoso não sabia da decisão de dona Ana Maria, uma retirante nordestina que aqui no Distrito Federal, com o marido Isaías Sabiá batizou o rebento de Kleiton. O show seguia. Histórias e mais histórias eram passadas pelos irmãos gaúchos ao público que tomou os 510 lugares da Sala Yara Amaral.

A dupla de Pelotas (RS) interagia com os fãs. Risadas foram provocadas quando Kledir contou sobre as dificuldades do idioma “gauchês”, no momento em que aportou com Kleiton no Rio de Janeiro. “Fui a um aniversário de criança. Quando disse que queria comer um negrinho, me olharam com cara de espanto, sem entender nada. Negrinho, no Rio Grande do Sul, é brigadeiro, assim como o cacetinho que nossa mãe pediu numa padaria carioca quer dizer pão francês…”

Da época dos Almôndegas, nos anos 70, quando iniciaram carreira no Sul, à explosão da dupla em 1980, milhões de discos foram comercializadas. Dos vinis aos CDs. Prêmios. O último deles foi TIM de Música pelo atual trabalho Kleiton e Kledir Ao vivo, que rendeu um CD e um DVD, a base para os shows que estão fazendo país afora. No palco, a dupla se reveza em apresentações solo. Paixão arrebata com a voz de Kledir. E uma fã da platéia pede que cante outras dez vezes. Risos novamente. É a deixa para o comercial: bem próximo à mesa de som, uma banca com os maiores sucessos à venda.

Minutos depois, é a vez de Kleiton retribuir num solo. Antes conta para o público que os dois são irmãos – e não um “caso”. Uma bela ironia. E solta a voz: “Quando eu era assim / Bem menor / Não tive afim, sei lá / De pensar em nós / Agora eu sei e entendo melhor / Vidente eu li no céu / Vai por mim, somos corpo e alma / meu irmão, meu par…” Era a canção Corpo e Alma, uma versão de Simon e Garfunkel gravada em 1983 pelo selo Ariola.

A noite ainda prometia. Kleiton dá um show ao violino. Passeia pela platéia, embala o sono de uma criança no colo dos pais. Retorna ao palco e a dupla segue com outros sucessos e músicas novas do último disco: Tô que Tô e Capaz. Com quase duas horas de boa música, encerram a apresentação com “Deu pra ti/ Baixo Astral/ Vou pra Porto Alegre / Tchau” O público não arranca o pé do lugar. Pede bis e os irmãos Ramil retornam com Maria Fumaça, o primeiro sucesso pós-Almôndegas: “Se por acaso eu não casar / Alguém vai ter que indenizar / E é o presidente dessa tal / RFFSA…”

Lembram-se do Kleiton? Após o show, se postou na porta do camarim. Ele queria contar a sua história para os manos. E a espera foi compensada com uma foto. Fez pose com o xará, que lhe perguntou se tinha um irmão Kledir. Nisso, um assessor solicitou cópia para ser colocada no site dos cantores. Kleiton conta que tem conhecido, pelo Brasil, diversos Kleiton e Kledir que foram batizados por influência da dupla.

E a conversa segue. Agora, os cantores concedem entrevista. Aproveitam para explicar que não são uma dupla sertaneja, mas uma dupla de MPG, ou seja, Música Popular Gaúcha. “Fazemos uma música moderna e universal, que pode ser cantada em qualquer lugar do Brasil, sem rótulos”, pondera Kleiton, que conta, ainda, do arsenal de músicas da dupla. Ao todo, são 70 composições inéditas, que começam a sair do forno ainda em 2008. O objetivo é gravar um novo CD. Mas os irmãos sabem que possuem composições para uns seis a sete discos. Segredo que guardam a sete chaves.

“O SESI e a Rede Globo estão de parabéns por proporcionar à comunidade do DF esta oportunidade de prestigiar, gratuitamente, e de perto, os mais diversos artistas brasileiros”, reconhece Kledir, falando sobre a importância do projeto Quintas Musicais, que traz ao Centro Cultural SESI Taguatinga expoentes da Música Popular Brasileira (MPB). De março até agora, passaram pelo palco da Sala Yara Amaral as atrações Jorge Vercillo, Isabela Taviani, Sá, Rodrix & Guarabira, Chico Anysio, Leo Jaime e Paulo Silvino. No primeiro semestre deste ano, o Sesi-DF levou cultura a aproximadamente 17,5 mil pessoas. De acordo com a Coordenação de Lazer, Esporte e Cultura do SESI-DF, de janeiro a julho, foram realizados 81 eventos culturais, que foram assistidos por 24,8 mil pessoas.

Em seguida, Kledir responde sobre o fechamento da Discoteca 2001, loja tradicional de CDs, DVDs e outros produtos adjacentes. Ele diz que soube pelos jornais e lamentou tal fato. A pirataria teria contribuído para que a rede fosse à falência. “Fiquei sabendo, lá no Rio, que a Discoteca 2001 tinha fechado. Fiquei muito triste. Até porque tive a oportunidade de visitá-la Conhecia as lojas. Para nós, como músicos, é uma tristeza ver uma loja de disco fechando”, lamentou.

E a conversa segue pelo campo da pirataria, o motivo da falência das lojas no DF. Então, Kledir sugere uma fiscalização mais rigorosa: “A questão da pirataria é um assunto muito sério. Acho que deveria ter uma fiscalização mais forte. Mas, ao mesmo tempo, as gravadoras colocam no mercado discos por preços exorbitantes. Então, o cara tem a oportunidade de comprar um CD por R$ 30 na loja ou ali na calçada, por R$ 5. É muito difícil que o público consumidor consiga entender isso. Ele acaba comprando por R$ 5. É uma questão bastante complexa.”

E vem um outro ingrediente ao papo. Ele conta que a internet tem levado a repensar a situação. Segundo Kledir, o comentário é que o CD acabou. “Para a música não faz falta o CD, pois música é um negócio que está aí no ar. Então, existe alguma maneira de registrar, uma maneira da pessoa  ter acesso aquilo e a internet tem servido muito. O futuro realmente é a internet. As pessoas vão escutar a música pela internet, vão baixar pela internet, vão registrar no IPod e esse é o futuro da música.”

Qual seria a solução? Ele diz: “A única coisa que nós queremos e gostaríamos que pudesse ser feito é o pagamento dos direitos autorais. As pessoas para terem acesso a internet têm que pagar. Ninguém tem acesso de graça. Tem que pagar a um provedor. Então, quando ela paga pelo acesso a internet deveria cobrar o direito autoral. Eu sou de opinião que deveria ser de livre circulação a música pela internet. O público poderia baixar música a vontade. Mas já que ele pagou na porta para entrar, uma parte deveria ser destinada ao direito autoral. Essa seria a melhor solução para o futuro.” 

E Kleiton está ali. Acompanhava a entrevista. Depois, como um menino que ganhou um presente, saiu pela lateral do teatro e foi até o carro que o levaria para casa. Extasiado? É pouco para expressar a felicidade. Agora que descobriu o caminho, promete comparecer aos próximos shows. Em outubro, Danni Carlos, e no mês seguinte, Toni Garrido (ex-Cidade Negra). Até lá.

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Uma resposta to “Kleiton & Kledir empolga platéia no SESI Taguatinga”

  1. Leonardo Ferreira Says:

    Grande Roberto,
    Estou aqui agora para entrar no time dos D’s, hehe
    Ficou interessante essa matéria do show!
    Abraços.

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