For All, ou seria para todos!!!

No auge da popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso, lá pela segunda metade dos anos 90, o tucano Sergio Motta dizia que o PSDB tinha um programa para permanecer pelo menos 20 anos no governo. Antes mesmo de FH ir para o segundo mandato, Motta morreu e com ele foram os planos de longa permanência no poder. O que se viu, a partir de 1998, foi a derrocada do sociólogo que deixou o Palácio do Planalto menos popular – isso segundo a opinião pública – do que quando entrou, em 1995.

Os políticos têm o gosto pela longevidade no poder, seja ele municipal, estadual ou federal. Trata-se de um fato não exclusivo do Brasil. Isso não foi inventado pelos militares que, sim, conseguiram os tais 20 anos de domínio amplo, geral e irrestrito quando depuseram o presidente João Goulart. E não estou aqui querendo julgar os militares brasileiros ou de outros países que perpetuaram nos palácios. Apenas contextualizar os fatos.

Antes de seguir na leitura deste post, sugiro ao (e) leitor que ouça ou cantarole a música Isto aqui tá bom demais, de Dominguinhos e Nando Cordel. O refrão diz assim: Olha, que isso aqui tá muito bom / Isso aqui tá bom demais / Olha, quem tá fora quer entrar / Mas quem tá dentro não sai… É bastante atual e ilustra bem aquilo que vou lhes contar: nO Globo desta quarta-feira (24) tem uma reportagem (Cresce articulação para prorrogar mandatos) de Adriana Vasconcelos.

Então, parece que o PT resolve, de tempos em tempos, empunhar a bandeira de Motta. Primeiro veio a tese do terceiro mandato. Diante do bombardeio, a proposta foi temporariamente arquivada. Agora, o mesmo PT se articula para prorrogar, por mais dois anos, o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um gênio. Todos sairiam ganhando. Todos, não, apenas aqueles que já estão no poder ou os que serão (re) eleitos no próximo mês de outubro.

Não é uma solução perfeita? Os 27 governadores, os 513 deputados federais e os 81 senadores (apenas 54 senadores terão de disputar a reeleição em 2010), além dos 24 deputados distritais ganhariam mais dois anos nas tetas dos Executivos e Legislativos. Por isso, vale a pena uma releitura da música de Dominguinhos e Nando Cordel: Isso aqui tá bom demais.

Imaginem os jornais com a seguinte manchete: Dilma 2012, agora vai. No DF seria melhor ainda: Solução para crise política. Ou seja, o governador José Roberto Arruda, não precisaria apoiar o vice Paulo Octávio em 2010, como fora prometido na campanha, em 2006. Com mais dois anos de mandato, Arruda se daria por satisfeito e buscaria uma vaga no Senado dentro de quatro anos.

E qual seria a reação daqueles políticos que estão fora e querem entrar? Vão acusar o golpe? Vão chamar a proposta de continuísmo? O fato é que Lula, diante dos elevados índices de aprovação do governo, não quer deixar a cadeira do Palácio do Planalto. Articula-se justamente com quem pode, ou seja, os que estão dentro do poder. E, pelo jeito, quem tá fora dificilmente conseguirá entrar. Até 2012. Ou ficar na torcida para que desenterrem a proposta do terceiro mandato.

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Uma resposta to “For All, ou seria para todos!!!”

  1. master69 Says:

    E assim a democracia brasileira vai se tornando uma nau sem rumo. O que o Lula quer ser? Um Chavez light? Espero que não. Para o bem de sua própria biografia…

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