Na barbearia Brasília

Pedro entrou de vez na era da globalização. Mandou instalar na barbearia aquela maquininha que permite aos clientes pagar o corte de cabelo no cartão de crédito. E, para os mais abonados, o débito em conta. Tem também um computador que permite ter acesso a internet. Coisas de primeiro mundo. Ele conta que assumiu tais “penduricalhos” para fazer frente à concorrência. Desembolsa R$ 0,20 em cada operação, mas atrai os novos clientes. O custo do corte de cabelo sai por R$ 10. Fazer a barba também fica por R$ 10.

Então, adentra ao salão modesto, na quadra 306 da Asa Norte, um petista de baixa plumagem. Aconchega-se na cadeira do Pedro. Veio aparar a barbicha. Coisas de petistas. E, como não poderia deixar de ser, o assunto que rola é a política. O cliente indaga a Manuel sobre quem seria o melhor candidato à sucessão do presidente Lula: Ciro Gomes, dispara o experiente barbeiro. Mas o petista quer mais. Coloca num mesmo saco Aécio Neves, José Serra e Dilma Rousseff. Para finalizar, o chato conclui que a melhor opção para 2010 seria Dilma para Presidente da República. Lula, para vice. Delírio puro.

E a conversa política segue por outros caminhos. Antes de entregar a minha cabeça para o barbeiro China, questionei Manuel sobre como está a eleição no Riachão. Natural daquele município maranhense, o barbeiro não pensou duas vezes e apostou todas as fichas em Dr. (Elias) Edmar (PDT), atual prefeito daquelas bandas. Um político experiente, pensei da minha cadeira já tendo o cabelo aparado pelo China.

A televisão, sintonizada na Rede Globo, vem com uma chamada sobre o acidente que aconteceu em Cocalzinho, cidade próxima de Brasília, onde um ônibus lotado de eleitores maranhenses bateu na traseira de um caminhão que transportava diesel. Os eleitores iam para o sul do Maranhão. Votar em Chico Coelho ou em Roberto Rocha? Uma fatalidade!

Neste momento, penso apenas nas compras que fiz no Extra Hipermercado. Os produtos estão acondicionados no porta-malas do carro. A manteiga e o requeijão irão derreter! Nisso, China conclui o corte. Pago em dinheiro: R$ 10. E ainda ouço uma piadinha do petista chato: vou torcer para o Fluminense não cair! Bato no peito. Inflo a minha camisa tricolor. Digo que não será preciso tal torcida. Ele, o petista chato, não entende. Eu sigo o trajeto até minha casa.

Mas, paro em Vicente Pires. Uma cerveja. Um bate-papo com os amigos. Nada previsível. E de novo vem o futebol. Desconverso. Busco outros assuntos.  Por sorte, ou por falta dela, a tevê mostra uma reportagem sobre o acidente ocorrido em Cocalzinho.

O celular toca. Eliana, a minha patroa, diz que está no Ginásio Nilson Nelson assistindo ao jogo Brasil e Rússia. O placar marca 4 a 0 para o escrete brasileiro. Continuo atônico. Penso concluir o texto deste post. Não consigo. Chego em casa. Compras para descarregar. Louça na pia para lavar. E o vizinho do andar de cima não deixa a gente em paz. Muito barulho. Falta de educação.

A patroa Eliana liga mais uma vez. Dá a senha para o almoço. Antes, chega em casa com uns presentes. Festa total. Por fim, vamos para a churrascaria. Local para passarmos a tarde. E que fique o chato do filho do vizinho pelo caminho. Só bebê e a bebezinho não percebram o novo corte do meu cabelo. É a globalização?

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