O padrinho

Inicio este post afirmando que não conheço nada no currículo do professor de Direito José Geraldo de Sousa Junior que o desabone para ter sido o escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reitor da Universidade de Brasília (UnB), uma das instituições públicas de ensino mais conceituadas do País. Palco de resistência nos tempos do regime militar, a UnB passou por uma onda de denúncias que culminou no afastamento do ex-reitor Timothy Mulholland. Lembram? A lixeira do magnífico reitor! O apartamento mobiliado com os melhores móveis do Brasil!

Assim como as denúncias que desaguaram na renúncia do magnífico reitor, desconhecia qualquer fato que desabonasse o professor Mulholland. Faço a mesma análise para outros dois candidatos que integravam a lista tríplice submetida ao crivo do presidente Lula. Então, por qual motivo ele [Lula] se decidiu pelo diretor da Faculdade de Direito? Seriam os 51,61% dos votos da comunidade suficientes para sensibilizar o Palácio do Planalto? Claro, primeiro lugar na preferência, José Geraldo era pule de dez.

Mas o jogo de escolha palaciana não é bem assim. Em outras ocasiões, ou até mesmo no futuro, e quem sabe neste caso específico, o peso do padrinho falou mais forte. Com raríssimas exceções, todos que são alçados aos cargos públicos têm pessoas influentes junto ao poder central. Seja um partido político, um governador, um ministro de Estado ou até mesmo do Poder Judiciário.

E por qual motivo Lula ungiu José Geraldo reitor da UnB? Por um afago ao professor-licenciado Gilmar Mendes, hoje presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)? Mendes anunciou aos quatro cantos a preferência por José Geraldo. Mas poucos associaram o “dever cívico” com o desfecho atual. Nada de errado ter preferência por este ou por aquele candidato. Mas é triste saber que neste País prevaleça o QI (Quem Indicou).

Nesta ação, que culminou com a indicação de José Geraldo, mostra também a complacência do Senado Federal (até onde sei não sabatinará o novo magnífico reitor). Mas é conivente, por exemplo, quando coloca nas autarquias, nos tribunais superiores, nas agências reguladoras, etc e tal, cidadãos que chegam com um excelente currículo, mas no desempenho dos cargos se transformam em fracassos administrativos. É aí que mora o perigo. E depois, todos tiram da reta. 

A posse do magnífico reitor professor José Geraldo está marcada para o dia 21 de novembro. A nomeação saiu publicada no Diário Oficial da União. A expectativa é que a UnB saia de vez das páginas policiais e se destaque pela qualidade do ensino, pelas propostas acadêmicas, pela busca do desenvolvimento do ensino deste País tão carente de doutores, mestres, dentre outros.

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