Um negro americano

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A eleição de Barack Hussein Obama, um negro de 47 anos, deve merecer uma análise mais profunda quando acalmarem as comemorações da vitória. Para quem entrou na leitura dos jornais ou acompanhou os noticiários na reta quase que final da campanha não deve ter percebido ou compreendido como foi esse jogo político que permitiu e incendiou esta onda denominada “obamamania”.

Faço uma leitura livre, tendo por ótica o meu ponto de vista, sobre as eleições norte-americanas que resultou em 63.764.326 de votos e 349 delegados para Barack. Para começo de análise, recordo uma gafe do presidente George W. Bush, quando apresentado ao então senador Barack Obama. Naquele passado não muito distante, Bush pensou tratar-se de um legítimo Osama. Isso perseguiu Barack também nesta campanha de 2008.

Voltamos ao início deste ano. O sucessor de Bush teria que sair, necessariamente, de dois partidos: Democrata ou Republicano. A eleição de um postulante independente seria algo impossível de acontecer. Com o passar dos dias, das semanas e dos meses, a disputa veio se afunilando. O Partido Republicano consolidava o nome de John McCain, um veterano, e o Partido Democrata se expunha numa briga entre Barack Obama e Hillary Clinton. Dois senadores eleitos por Chicago e Nova York.

Os Clinton mantêm poder de influência no Partido Democrata. A vaga para a senhora Clinton parecia uma aposta correta. O casal Clinton talvez não tenha se aprofundado na biografia do senador Barack Obama. Acredito que sequer tenha compreendido sobre como ele (Barack) chegou ao Senado derrotando candidato tradicional de Illinóis, inclusive com muito mais dinheiro na conta bancária do que Obama.

James Carville, o marqueteiro político e amigo do casal Clinton, deve ter  desdenhado. Imaginem! O eleitor americano não vai querer um negro na Casa Branca! Assim – no campo das hipóteses – teria pensado a raposa do marketing. Carville jogou suas fichas na mulher Hillary Rodam Clinton. Claro, entre um negro e uma mulher, seria mais fácil vender para o eleitor a loira que representa o perfil da beleza americana.

Isso porque, no meu entendimento, o eleitor jamais pensaria em escolher para presidente dos EUA entre um negro e uma mulher. Preconceituosos, em sua maioria, o eleitor americano achava, até então, que negro não presta para administrar uma das maiores  potências mundiais, e que mulher é para cuidar do lar.
 
Talvez, Barack Hussein Obama tenha feito um estágio – entre os muitos de sua carreira – com os tradicionais políticos brasileiros. Deve ter buscado em Minas Gerais lições suficientes para costurar os acordos. E assim foi se sucedendo. Enquanto o Democrata brigava, disputava, o Republicano parecia se decidir pelo tradicional e, então, escolheu McCain. A experiência deve ter pesado.

Barack e Hillary foram até o final. O negro teve mais fôlego. Mais recursos nos cofres da campanha, tudo feito mineiramente falando. Então, veio o segundo momento da campanha que acredito que poucos acharam factível. A escolha do candidato (a) a vice nas chapas Republicana e Democrata. Ainda no campo das hipóteses, a senhora Clinton seria o nome natural. Afinal de contas, foi até o último instante e sua indicação seria um prêmio de consolação.

Mas Obama optou por Joe Biden. Poucos acreditaram. Mas era mais uma vez a influência da política mineira, penso eu! Uma chapa composta por um negro e uma mulher que representa o perfil da beleza americana seria facilmente abatida, sigo pelo meu raciocínio, dois elementos de rejeição do eleitor norte-americano. McCain fez o contrário. Do perfil experiente, ex-combatente de guerra, um soldado à disposição da nação, o Republicano foi buscar uma mulher – que representa o perfil da beleza norte-americana – para contrabalançar.

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Escolheu Sarah Palin, a governadora do Alasca. E Palin transformou-se numa verdadeira dor-de-cabeça para McCain. Talvez os marqueteiros Republicano não tenham analisado o currículo da senhora Palin! Enquanto isso, uma outra mulher – que também representa o perfil da beleza negra e americana – foi ganhando espaço. No passado, a advogada que se apaixonou pelo estagiário do escritório onde trabalhavam. Sim, Michelle foi responsável pela formação profissional de Barack.

Num determinado instante da campanha, ela teria dito que Barack fedia muito e fumava. Talvez, ao se expressar deste modo, tentou mostrar para o eleitor que o marido tinha o perfil do cidadão comum. Confesso que imaginei ser a estratégia um tiro no pé. Que nada! O fenômeno Barack só cresceu. Ampliou suas fronteiras. Transformou-se num candidato pop star. Ou seria for all star?

E, deste modo, Barack e John foram para a disputa final. Para McCain ocorreu o imprevisto, ou melhor, o imprevisível: a crise financeira e imobiliária que varreu o mundo, a partir dos EUA.  Diante deste vendaval, o eleitor associou o Republicano a George W. Bush. E John McCain acabou sendo levado por estes ventos que vêem mudar a América. O Império Americano.

Assim, Barack Hussein Obama foi eleito o 44º Presidente dos EUA. O mundo ainda comemora. É uma espécie de ressaca eleitoral. Mas, os mais apressadinhos estão querendo ver nomes. Quais serão os auxiliares do presidente eleito? Acho que, como se comportou nas eleições, Obama dirá isso no momento correto . O mundo pode esperar.

E, para tristeza da beleza carioca, o Rio acaba de perder, de vez, o posto de sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Este será de Chicago. Então, seria um sonho Brasília se candidatar para 2020? A sorte está lançada! Vinte mais vinte seria um número bem cabalístico. Místico. Ou seja, para quem gosta.

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4 Respostas to “Um negro americano”

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