A mala

Funcionário apara a grama do Estádio Bezerrão, palco de Goiás e São Paulo

Funcionário apara a grama do Estádio Bezerrão, palco de Goiás e São Paulo

Há algo de muito podre acontecendo neste final de ano no futebol brasileiro. Após 37 rodadas, os torcedores estão prestes a conhecer o campeão de 2008 da série A E o jogo nos bastidores – que deveria melhor ser apurado pelas autoridades – produz uma situação bastante inusitada: o clube Goiás tem o mando de campo para a decisiva partida contra o São Paulo, um dos clubes que pode sagrar-se campeão. A partida seria disputada no Serra Dourada, mas por “ironia” do destino – ou por decisão da Justiça Desportiva – o palco da disputa será o reformado Estádio Bezerrão, no Gama (DF).

Até aí nada de anormal. O novo ingrediente fica por conta do preço do ingresso para assistir ao jogo: R$ 400 ou R$ 200 para quem doar um quilo de alimento não perecível. Ou seja, um quilo de arroz ou um quilo de feijão está valendo R$ 200. E já viram a campanha do governo federal na televisão para que o cidadão consuma mais feijão e mais arroz? É de lascar.

Nas entrelinhas, a novela permite as mais diversas leituras. Então, vamos a elas:

1 – O São Paulo – maior interessado em lotar o Bezerrão – ficou frustrado com a decisão do Goiás. Claro! Sem torcedor – o valor vai afastar até mesmo o mais fanático são-paulino – perde-se a emoção, o incentivo aos jogadores. A situação beneficia o Grêmio – outro interessado na partida. Os gaúchos enfrentam o Atlético Mineiro no Estádio Olímpico. Uma vitória do Grêmio, em Porto Alegre, e uma derrota do São Paulo, no Bezerrão, dá o título ao Grêmio. Será que torcedores/empresários do gremistas cobririam os prejuízos do Goiás? É a famosa mala branca? Ou preta? Ou laranja? Ou verde?

2 – Os são-paulinos podem tentar interceder também. Já existe uma “mobilização” para que a CBF reveja o preço do ingresso. Poderia ser produzido acordo para lotar o Bezerrão. Quem sabe um ingresso a R$ 10? Ou a R$ 50? Neste caso específico, a mala viria de São Paulo?

3 – Ou sejamos ingênuos ao acreditar que tudo isso é mera coincidência? A diretoria do Goiás tem todo o direito de fixar o preço do ingresso. E o Estatuto do Torcedor? Ele é omisso nesta situação? Ele abre brechas para os assédios das partes interessadas? A oferta de grama para os jogadores ou para os clubes, se não é ilegal, é antiética e imoral. Foi-se o tempo em que tudo se decidia entre as quatro linhas do gramado? É uma vergonha, como diria o jornalista Boris Casoy

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