Conversa de botequim

Três funcionários da Prefeitura Municipal de Santo Antônio de Pádua, no interior norte do estado do Rio, estão num botequim em pleno dia de trabalho. A conversa gira entorno das mudanças na nova administração – que não é tão nova assim – estabelecidas pelo prefeito José Renato Fonseca Padilha. Os barnabés não sabem ao certo se permanecerão no trabalho, se serão transferidos para outros postos ou demitidos. Pelo menos dois não são concursados. Trabalham na base do QI (Quem Indicou).

Um deles diz que conversou ao pé do ouvido com o Zé Renato. Conta ter recebido a promessa de continuar no mesmo local, como motorista. O concursado diz que não pode ser removido. É detentor de todos os direitos. O terceiro – que recebe no fim do mês e não pega no pesado (ou melhor, sequer trabalha) – diz que se cortarem a grana irá colocar a boca no trombone.

O exemplo de Pádua é apenas um nos milhares existentes nesta cidade e em outros municípios brasileiros. O que prevalece é o compadrio. Não sou defensor de funcionário público. Sou defensor de trabalho por metas e, ao cumprir as referidas metas, recebe-se um bônus, uma gratificação. Os concursos públicos, em linhas gerais, são direcionados. Ainda mais em municípios como Pádua.

Deixando de lado esta questão, retornamos ao assunto do post. Ou seja, as conversas que tenho escutado nos botequins da cidade. Dias desses, três eleitores do ex-prefeito Nando Padilha, fizeram a pergunta: – Sabem por qual motivo o povo perdeu tudo com as enchentes do rio Pomba? A resposta em tom de piada: – Porque desta vez o Nando falou a verdade e ninguém acreditou. Risos! Rei morto, rei posto… Ainda bem que desta vez ele não foi deposto. Se bem que tentaram.

E o prefeito atual, Zé Renato, teve pouco mais de 12,5 mil votos. Só que seus assessores estão atuando em bairros onde ganhou os tais votos. Ou seja, nas áreas em que foi derrotado para a outra candidata, o desprezo é total. Uma prova disso foi uma entrevista numa emissora de rádio da situação. A funcionária da Secretaria de Promoção Social disse que iam enviar sopão para os necessitados do Bairro Cidade Nova. Parece que lá funciona um curral eleitoral dos Padilha. No bairro Tavares, a ausência da Prefeitura de Pádua é quase total. Só limparam uma das ruas e mais nada. É!!! O eleitor tem memória muito curta. Já, já chega 2012.

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4 Respostas to “Conversa de botequim”

  1. jf Says:

    aqui em miracema é assim tb, se vc tem padrinho, entra em qualquer lugar, mas senao tiver, fica se humilhando pedindo emprego e nunca consegue nada. Fora os casos de pessoas que nao sao concursadas e estao trabalhando na prefeitura e por ser “peixe” de alguem, está ocupando vaga de algum concursado que esta precisando de um trabalho pra sustentar a familia.
    Ate quando isso vai continuar. Adoro seu log.

  2. bruno Says:

    Provavelmente isso irá continuar assim por varias gerações ainda, é uma vertente aparentemente indissociável de nossa matriz luso portuguesa, afinal esse paternalismo veio junto com a herança de nossa colonização, quem conhece as principais obras dos pensadores modernistas sabe que qualquer discurso contrário é mera demagogia e moralismo. Segue assim a dica de leitura para quem quiser ter uma introdução às grandes obras do pensamento brasileiro, “Introducao ao Brasil um Banquete no Tropico” e seu segundo exemplar, ambos sobre a organização do Prof Lourenço Dantas Mota.

  3. Antero Says:

    Quem é você que nunca ninguém te viu aqui? Como pode saber tais conversas SE NINGUÉM TE CONHECE? Se acha que pádua é o centro da malandragem não sabe nada de NADA, acho que so quer se promover as custas do que todos ja sabem, so mudaremos esse país em um dia que o presidente não for o Lula e O CABRAL GOVERNADOR, e nem tiver 512 deputados federais eleitos por seus currais, acho que no bairro Cidade Nova, tem mais fome que no Bairro Tavares, visto que não tem pobreza abundante no bairro Tavares, e me diz ai, VOCE DEVE SER O MICHEL MANSUR, OU UM DOS ESFOMEADOS POR BOQUINHA QUE O RODEIAM, POIS NINGUÉM TE CONHECE AQUI…

    • Roberto Cordeiro Says:

      Caro Antero Batista Souza,
      Para merecer tamanha consideração, acredito que vestiu a carapuça. Quando não acreditamos naquilo que lemos, desprezamos. Mas, do contrário temos comportamentos dos mais diversos. O que se coloca em “Conversa de botequim” (um post) é um fato, uma constatação que, até onde tenho conhecimento, o senhor não estava presente. Claro que o senhor pode opinar. Aliás, isso é da democracia. Não vivemos numa ditadura como a imposta nesta cidade pelos desgovernos das últimas duas décadas.
      Continue opinando. Faz bem.
      Abs.
      Roberto Cordeiro
      Obs. Não sou nenhum e nem outro…candidato mencionado pelo senhor.

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