O humor do juiz

Os participantes do BBB. Cadê as gostosas?

Os participantes do BBB. Cadê as gostosas?

Entro nesta polêmica pelos seguintes motivos: iniciei no jornalismo em Campos dos Goytacazes; tenho familiares que moram nesta cidade fluminense; sou simpático ao Americano, mas torço mesmo pelo Fluminense. Quando estive na Assessoria de Imprensa do STJ busquei atuar como forma de simplificar o juridiquês. Dar uma roupagem mais acessível ao linguajar do Poder Judiciário foi um dos objetivos no período de tribunal.

Então, refiro-me à polêmica do juiz da Vara Cível de Campos, Cláudio Ferreira Rodrigues, que resolveu usar fatos do cotidiano nacional para julgar o processo de troca de um aparelho de TV pela Casas Bahia (ré no processo). O caso chegou ao sítio Conjur e em seguida ocupou o blogosfera. Aspirante a humorista, o magistrado diz que o televisor “é um bem essencial” e, sem o aparelho, não teria como “assistir as gostosas do Big Brother, ou o Jornal Nacional”.

O meritíssimo [cuidado com o trocadilho] estipulou indenização de R$ 6 mil. O juiz quer que o autor da ação possa assistir aos jogos do Flamengo, clube pelo qual o magistrado se declarou torcedor: “Se o autor fosse torcedor do Fluminense ou do Vasco, não haveria a necessidade de haver televisor, já que para sofrer não se precisa de televisão”, debochou.

Leia a sentença
Processo 2008.014.010008-2
Foi aberta a audiência do processo acima referido na presença do Dr. CLÁUDIO FERREIRA RODRIGUES, Juiz de Direito.
Ao pregão responderam as partes assistidas por seus patronos. Proposta a conciliação, esta foi recusada. Pela parte ré foi oferecida contestação escrita, acrescida oralmente pelo advogado da Casas Bahia para arguir a preliminar de incompetência deste Juizado pela necessidade de prova pericial, cuja vista foi franqueada à parte contrária, que se reportou aos termos do pedido, alegando ser impertinente a citada preliminar.
Pelo MM. Dr. Juiz foi prolatada a seguinte sentença: Dispensado o relatório da forma do art. 38 da Lei 9.099/95, passo a decidir. Rejeito a preliminar de incompetência deste Juizado em razão de necessidade de prova pericial. Se quisessem, ambos os réus, na forma do art. 35 da Lei 9.099/95, fazer juntar à presente relação processual laudo do assistente técnico comprovando a inexistência do defeito ou fato exclusivo do consumidor.
Não o fizeram, agora somente a si próprias podem se imputar. Rejeito também a preliminar de ilegitimidade da ré Casas Bahia. Tão logo foi este fornecedor notificado do defeito, deveria o mesmo ter, na forma do art. 28, § 1º, da Lei 8078/90, ter solucionado o problema do consumidor. Registre-se que se discute no caso concreto a evolução do vício para fato do produto fornecido pelos réus. No mérito, por omissão da atividade instrutória dos fornecedores, não foi produzida nenhuma prova em sentido contrário ao alegado pelo autor-consumidor.
Na vida moderna, não há como negar que um aparelho televisor, presente na quase totalidade dos lares, é considerado bem essencial. Sem ele, como o autor poderia assistir as gostosas do Big Brother, ou o Jornal Nacional, ou um jogo do Americano x Macaé, ou principalmente jogo do Flamengo, do qual o autor se declarou torcedor? Se o autor fosse torcedor do Fluminense ou do Vasco, não haveria a necessidade de haver televisor, já que para sofrer não se precisa de televisão.
Este Juizado, com endosso do Conselho, tem entendido que, excedido prazo razoável para a entrega de produto adquirido no mercado de consumo, há lesão de sentimento. Considerando a extensão da lesão, a situação pessoal das partes neste conflito, a pujança econômica do réu, o cuidado de se afastar o enriquecimento sem causa e a decisão judicial que em nada repercute na esfera jurídica da entidade agressora, justo e lícito parece que os danos morais sejam compensados com a quantia de R$ 6.000,00.
Posto isto, na forma do art. 269, I, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido, resolvendo seu mérito, para condenar a empresa ré a pagar ao autor, pelos danos morais experimentados, a quantia de R$ 6.000,00 (seis mil reais), monetariamente corrigida a partir da publicação deste julgado e com juros moratórios a contar da data do evento danoso, tendo em vista a natureza absoluta do ilícito civil. Publicada e intimadas as partes em audiência.

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Uma resposta to “O humor do juiz”

  1. Paula Tolomei Says:

    O que é isso minha gente?????
    Foi só uma brincadeira, quem já assistiu uma audiência com ele sabe que é seu jeito de ser…
    Deixa de escândalos e boatos, aprendam a conviver com as diferenças!!!!

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