A farsa suíça

As marcas no corpo podem indicar auto-flagelo da advogada Paula Oliveira

As marcas no corpo podem indicar auto-flagelo da advogada Paula Oliveira

Pensei algumas vezes antes de entrar neste assunto aqui no Diário de Bordo. O caso da advogada Paula Oliveira, 26 anos, que teria sido atacada por um grupo de neo-nazistas num estação do metrô de Dubendorf, na Suíça. mexeu com o país e com a comunidade internacional. Num primeiro momento, a notícia mereceu reação energia do presidente Lula e do chanceler Celso Amorim. Cobravam explicações para tamanha agressão à jovem que “teria” perdido os filhos gêmeos de três meses de gestação em função da agressão.

A mídia brasileira estampou fotos. Produziu matérias. Tudo descambava para um escândalo. Um conflito entre países. Até que veio a informação da possibilidade de uma “farsa”. A suspeita agora é que Paula teria cometido auto-flagelo. E o que levaria a jovem, com situação estável naquele país a fazer isso? Num dos jornais de fim de semana, Paulo, o pai da jovem, diz não ter como provar a gravidez da filha.

O partido de extrema-direita (SVP), que teria sido responsabilizado por Paula pelo ataque por meio de seus simpatizantes, quer a expulsão da moça e que as custas das investigações sejam pagas por ela. Acredito que ainda é muito cedo para se buscar culpados, mas este caso serve de exemplo daquilo que a mídia brasileira deve seguir daqui para frente: não agir no afogadilho. Parece que lições como a da Escola Classe em São Paulo caiu no esquecimento.

Os jornais suíços são mais prudentes. Alguns artigos chegam a ironizar o presidente Lula pelas declarações dadas esta semana sobre o caso Passaram a tratar o caso após o “escândalo” ter ganhado as páginas da mídia tupiniquim. Também afirmam que a gravidez inventada seria uma técnica comum entre mulheres brasileiras para pressionar seus namorados, noivos ou maridos. E acusam o Brasil de ser um dos países mais xenófobos do mundo, onde 72% da população seriam contra à recepção de estrangeiros.

O comandante-geral da polícia de Zurique, Phillip Hotzenkocherie, confirmou que Paula Oliveira pode ser indiciada criminalmente por tentativa de armar uma farsa. A lei Suíça prevê tratamento psicológico, multa ou até prisão nesse tipo de caso.

Para a cônsul brasileira em Zurique, Vitória Cleaver, não há razão para duvidar dos legistas no que se refere à inexistência de uma gravidez no dia do incidente. Ela acha que o governo suíço não ia armar uma história que poderia facilmente ser desmascarada, o que provocaria um choque diplomático entre o Brasil e a Suiça. “Não tenho elementos para duvidar disso”, disse.

Sobre as suspeitas de que Paula teria se flagelado, a cônsul prefere evitar comentários e manter a cautela até que tudo seja esclarecido. Mas, segundo ela, Paula se mostra muito convincente. “Ela demonstra ser esclarecida e parece convencida da versão que apresentou”, afirmou a cônsul.

O pai de Paula afirmou que ainda não tem como comprovar que a filha estava grávida durante o suposto ataque porque não saberia dizer onde ela guarda documentos. O noivo da brasileira, também segundo o pai, já teria confirmado a gravidez.

Paulo Oliveira não descarta a possibilidade de contratar um advogado local para acompanhar as investigações na Suíça. Ele diz estar desapontado com as suposições da policia.  O Ministério das Relações Exteriores informou ao G1 que não fará comentários sobre o caso até que as investigações sejam concluídas pela polícia suíça.

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Uma resposta to “A farsa suíça”

  1. Elton Says:

    Ué, por que você pensou ‘algumas vezes’ antes de postar o fato aqui?
    É a cara do blog!

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