O Império (ou A República) de Sarney

Foto oficial de Sarney, presidente da República Federativa do Brasil

Foto oficial de Sarney, presidente da República Federativa do Brasil

O senhor José Ribamar Ferreira de Araújo Costa governou o Brasil no pós-regime militar. Maranhense de Pinheiro, ele foi alçado à cadeira principal do Palácio do Planalto após falecimento do presidente “eleito” Tancredo Neves. Até então, José  Ribamar era o vice. A partir de meados de 1985, o povo brasileiro começava a conhecer José Sarney.

Sarney, que já tinha um passado naquilo que podemos chamar de capitania hereditária do Maranhão, fincava os tentáculos em todo o território nacional. Um político astuto, “montou” um verdadeiro “império” na República Federativa do Brasil. Com tamanho poder nas mãos, ele nomeou, mandou e desmandou. E a história lhe fará justiça!

Ocorre que aqueles cinco anos de mando permitiram um esquema no trono que é difícil desmontá-lo. É o mesmo que procurar a fórmula do guaraná Jesus. Foi sepultada com o dono? Ninguém aqui do resto do país sabe ou confirma ou conhece.

No entanto, desconfiar não é proibido. Lembro-me que almoçava com o dono de um dos grupos de comunicação mais poderosos do país. Ele contava que a matriarca da família escolhia as gravatas de José. A empresa recebeu um terreno em São Luís para a construção de um hotel. Isso foi – como chamamos -, “café pequeno”.

Quantos magistrados foram nomeados? Quantas concessões de emissoras de rádio e TV foram dadas? Quantos cargos públicos, nas mais diversas esferas do poder, foram entregues? Isso é o que chamo de império. E essa corrente pra frente vem funcionando até os dias atuais. Por isso é fácil entender o bom trânsito. As reportagens nas páginas dos jornais – claro que há exceções – e revistas. É o que se convém chamar de troca de favores.

E quantos devem a ele? Quantos favores foram feitos nesta República do faz de conta? Por isso, quando se trava uma “batalha” para que Branca retorne ao Poder na capitania do Maranhão, a mídia publica textos “positivos” como aquele encontrado hoje (4 de março) nO Globo.  Muitos defenderam no passado uma CPI da Mídia. Os historiadores poderiam analisar essa questão, ou seja, o comprometimento com o ex-presidente.

O resultado prático: os favores são retribuídos. Isso é nojento. Na noite de ontem (3 de março), quando as emissoras de tv trataram da saída do ex-todo-poderoso diretor-geral do Senado Agaciel Maia, houve uma lembrança:  – Ricardo Boechat em nota-pé – e o JN – no corpo da matéria – mostraram que Agaciel foi nomeado por Sarney quando esteve – pela primeira vez – naquele trono.

Então, brasileiras e brasileiros, ainda há muitos “esquemas” a serem desmontados neste país. Ou alguém acredita que este episódio pôs fim a um mando no Senado. As peças são substituídas por outras que seguem a mesma trajetória. O Dono do Mar… O dono do Maranhão…E quiçá, da República Federativa do Brasil. Isso o Lula já permitiu faz muito tempo.

E o ex-governador Jarbas Vasconcelos, senador do PMDB, uma espécie de Pedro Simon mais jovem, empunhou a bandeira do moralismo e sabe muito bem aquilo que é capaz de fazer o presidente do Senado. Lá, a briga continua feia. Ressuscitaram o ex-presidente Fernando Collor – que sucedeu Sarney e como diria Jânio Quadros – “deu no que deu…” Collor disputa a presidência de uma das muitas comissões (de Infraestrutura). No Senado, dizem, o menos letrado dá nó em pingo de éter…

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3 Respostas to “O Império (ou A República) de Sarney”

  1. Álvaro Says:

    Caro conterrâneo
    Este seu post sobre o “Zé Ribamar Marimbondo de Fogo” traz a mim e certamente a muitos brasileiros, o sentimento da impunidade e revolta que vem se avolumando nesta nossa “república”. É isto que desejávamos e lutamos ardorosamente para alcançar a tão sonhada democracia? Por onde anda a imprensa e os meios de comunicação em geral que não dão conhecimento ou reavivam a biografia deste asqueroso senhor? Está inserida também na conta dos favores prestados? Pela coragem e independencia de seu post, acrescento alguns fatos que reputo de muito interesse do pouco que me recordo:
    1-Esta figura nojenta e escrota promoveu uma reforma política particular no qual a capitania maranhense possui 4 senadores e o Amapá somente 2! Qual o total de votos desta assombração?
    2-Que fim teve o caso da apreensão de dinheiro vivo no escritório da filha tambem senadora Roseana Sarney? Por onde anda o filho Zequinha ex-ministro do Meio Ambiente?
    3-Esclareça-se melhor o relacionamento deste nefasto e senil senhor com os senadores pelas Alagoas, Fernado Collor-que o sucedeu na Presidencia da República- e Renan Calheiros. Tudo farinha de um saco só para aqueles de pouca memória. Quais cargos ocupam atualmente naquele covil?
    4-Discordo quanto à sua comparação entre os senadores Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon. Este a vaidade e a falta de firmeza já o levaram a muito tempo! Quanta decepção na sua postura em discurso no Senado quanto ao colega Renan Calheiros! Qual seu voto na questão da CPMF? O pernambucano Jarbas só em sua entrevista dada à Veja o coloca na galeria de pouquíssimos políticos de caráter e coragem neste deserto brasileiro . . .
    Portanto meu caro Roberto, entendo que embora pertença à geração que resistiu e lutou pela redemocratização de nosso tão amado Brasil, encontro-me por incrível que pareça, na condição de avaliação de que somente um novo golpe militar poderia moralizar este país!
    Resta saber e encontrar sabe-se lá onde, os militares do quilate de um Castelo Branco para promover a limpeza que o país necessita!
    Por falar em militares revolucionários ex presidentes, qual o patrimônio material legado aos filhos por eles? Existe algum livro que me sacie em minha curiosidade?
    Um forte abraço tricolor.

  2. BENIGNO ARAUJO DIAS Says:

    Dono do mar, pirata do lago

    25 de abril de 2009
    Opinião – JORNAL PEQUENO
    Benigno Dias*
    Quando solicitou a construção de uma comporta, para controlar o fluxo da água marinha, que ameaçava a fauna aquática do lago Pericumã, parece que O DONO DO MARanhão, Zé Sarnê, já assinalava um sobreaviso ao advindo Jackson Lago: “Água doce pode até adentrar no meu mar, antes, porém, ela tem de passar pelo dreno da minha eclusa!” Teria assim prenunciado Sarney. – Se um LAGO foi pequeno para tamanho dilúvio, imaginem uma CAFETEIRA!
    Ao largo de sua proliferação, o sarneyismo foi fincando pilares nos três poderes deste estado: são clones e mercenários da oligarquia ocupando os cargos-chave em todos os escalões. E por que não afirmar: a ascensão do clã sarney, no âmbito federal, deu a si autoridade para germinar guardiões da causa na esfera da União, como no Poder Judiciário, por exemplo.
    Sistematizado em perfeita simbiose, cada devoto sobrevive do voto feito e dado ao São José do Pericumã, como o imortal José Sarney se autoproclama.
    Apenas para ilustrar: – Quem é a presidente do TRE-MA? -Quem Roseana nomeou para a pasta de Segurança Pública? -Que afinidade existe entre Raimundo Cutrim e o presidente do Tribunal de Justiça do Estado? – Isso se pode chamar de nepotismo ou simaquia?
    Embora tivesse sido cassado, Jackson continua sendo o entrave maior à hegemonia do sarneyismo nos domínios da nação marañanguara. Porquanto, não será surpresa se Roseana vier a usar a sua dupla de Cutrim para criminalizar e incriminar o ex-governador e colaboradores, como uma prévia sabotagem às pretensões eleitorais de Jackson e limnófilos (amigos de lago).
    Outra retaliação quase certa, é a revogação dos últimos atos de Jackson Lago; promovendo servidores estaduais e destinando recursos a obras em alguns dos 217 municípios maranhenses. Tais concessões serão revogadas sob os mais mirabolantes pretextos legais. Ou seja: a governadora vai apagar o rastro de Jackson para plantar a marCA DELA. Certamente, ela vai encenar, consultando o orçamento e sua a camarilha, reeditando medidas mantendo ou reduzindo a monta contingenciada por Jackson – de modo que a base de “beneficiados” seja ampliada – assim ela poderá recrutar um maior número de votantes.
    Nesse Sermão dos Peixes, sem as bênçãos de padre Antônio Vieira, peixes capazes de se adaptarem nas duas águas (anfídromos ou catádromos) não faltaram. Porque muitos peixes lacustres (de lago) migraram para O Dono do Mar, depois que o LAGO secou.
    É, mas: “Neste mundo de lendas e mitos, a única verdade absoluta é a morte. Pois nem mesmo o nascimento é inevitavelmente real, já que ele pode ser abortado. E o que é o abortamento, senão a própria morte?”
    A exemplo do que se sucedeu na Bahia, um estado atormentado por uma oligarquia pandemônica; cujo resgate da população subjugada e impotente se deu graças às mortes de Luís Eduardo e Antônio Carlos Magalhães. Pela força das fartas semelhanças existentes entre aquela unidade da federação e o Maranhão esperemos em Thanatos (deus morte) que, em breve, ele seja implacável na destruição de filha e pai, dos quais somos cativos. Aliás, essa era uma missão da alçada de Thêmis (deusa da Justiça). Cega no mundo inteiro, todavia, no Maranhão, Thêmis usa detector de dólares.
    *Pinheiro – MA

    Prezado Dr. Pêta;

    Dizem que outrora havia uma animosidade entre pinheirenses e sambentuenses. A causa seria, pasmem, a disputa pela condição de manjedoura de ‘Zé Sarnê’. Uma tremenda bobagem, se afirmativa. Onde foi depositado o mecônio (primeiras fezes de um neném) de José Sarney não interessa – preocupante é saber que ele continua exalando pelo Maranhão inteiro. Que diferença faz Sarney ter nascido sob as bênçãos de Santo Inácio ou de São Bento? Ter carcomido isca de piaba ou isca de muçum, não importa! Por causa disso, a ‘sarneyzada’ não iria deixar de ser uma família multimilionária, nem o Maranhão perderia seu preciosíssimo lugar de unidade mais miserável da Federação. Até que uma avalanche letal destroce o dono do MARanhão e seu clã.

    (Benigno Dias – Pinheiro MA) JORNAL PEQUENO, de 30/04/2009

  3. Rosa Barros Brandão Soares Says:

    Isso é só e somente só apintinha eu um imensurável iciberg. Lama fétidas cobrem esse despautério da hsitória deste país. Um país chei de sarneys, maracutais, e ums grande chefe que a tudo de costas largas protege. Todo império um dia rui. Com certez este não tardará por que Deus éa mor e justiça.

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