Post 500

A Esplanada dos Ministérios foi tomada pelos moradores de Brasília (foto Antônio Cruz ABr)

A Esplanada dos Ministérios foi tomada pelos moradores de Brasília (foto Antônio Cruz ABr)

A história ocorreu em meados dos anos 80. Um advogado envolvido até o pescoço nas fraudes contra a Previdência Social chama o cliente até seu escritório. De pronto, informa-lhe que acabara que ganhar a causa e, por isso, iria receber um polpudo cheque – a valores de hoje – de R$ 1 milhão (prêmio que qualquer candidato a Big Brother Brasil almeja). Ao entregar a grana, disse-lhe que havia uma condição: o cliente deveria fugir com o dinheiro, pois a Polícia Federal estava para pegá-los. Imaginem quanto o advogado lucrou com estas gatunagens.

Amanheço nesta quarta-feira (22) – um dia após a linda festa de aniversário dos 49 anos de Brasília – e mantenho a rotina. Leio os jornais (Correio Braziliense, Jornal de Brasília e O Globo) e depois vou caminhar com o labrador Waldick. Para surpresa, descubro que o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a discutir a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que colocou nos respectivos tronos os ex-senadores José Maranhão (PMDB) na Paraíba e Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão.

A divergência nos gabinetes e nos corredores do Supremo diz respeito às respectivas posses daqueles candidatos que ficaram em segundo lugar. O TSE rasgou a Constituição? Os ministros decidiram por ocupantes de Palácios que tiveram menos da metade dos votos válidos e, deste modo, contrariaram a legislação eleitoral? Seriam Maranhão e Sarney os legítimos para governar os estados?

Qualquer semelhança entre o escândalo da Previdência Social e a decisão do TSE é mera coincidência. Deram para Maranhão e Sarney o direito (i)legítimo de governarem a Paraíba e o Maranhão. Mas esqueceram de avisar: corram que o Supremo pode te pegar. E por qual motivo isso ocorreria? Será apenas mais uma piada de salão para engrossar o anedotário político do Brasil?

Cassaram o Cássio Cunha Lima – isso em minha opinião pessoal – para justificar em seguida a decisão que destronou Jackson Lago. Não ponho a mão no fogo nem por Cunha Lima e nem por Lago. Do mesmo modo, não ponho a mão no fogo por Maranhão e Sarney. Se houve cambalacho na Paraíba, no Maranhão – como há tantos por este país afora – a decisão do TSE é incorreta e incoerente.

Depois, quando cassarem José e Roseana, pelos mesmos motivos de Cássio e Jackson, como irão consertar a vontade popular, que deveria ter sido a preocupação de todos os magistrados que julgaram os processos? Caso contrário, parece-me golpismo. E o estrago já foi feito. Porém, como não acredito em duende ou em Papai Noel, é mais uma conversa para boi dormir.

O leitor deve ter achado estranho o título Post 500 e questionado sobre a relação entre a manchete e o teor do texto. É que completo nesta data a inserção de 500 textos no Diário de Bordo. E tal marca acontece às vésperas de completar o primeiro aniversário do blog que nasceu sem muitas expectativas, mas que tem uma média de 500 leituras por dia. São mais de 176 mil acessos neste período.

Claro que ao longo destes meses cheguei a receber críticas de pessoas que achavam que estava saindo do caminho das Índias. Os mesmos críticos tinham em mente que este blog seria exclusivo para questões de viagens. Mas, é possível viajar a partir de uma cadeira e tendo à frente o computador e a internet. Os mesmos críticos acusavam-me de usar notícias do G1, sítio da Globo.com. Estão redondamente enganados. Neste período, visitei diversos endereços. Até mesmo o da Casa Branca, passando pelos jornais mais importantes do Brasil e do mundo.

O Diário de Bordo cresceu a partir de uma decisão do leitor. Há uma ferramenta que me permite avaliar os assuntos que mais interessam aqueles que frequentam este blog. E é para eles que me coloco neste desafio diário de escrever. De contar casos de viagens, sim. Mas também de tecer comentários sobre os mais variados assuntos. Tenho alguns anos de experiência na profissão.

Nestes meses também recebemos muitos elogios. Conquistamos marcas interessantes como os mais de 1,7 mil comentários sobre notícias que colocamos no blog. Isso é a democracia. E saber aceitar as críticas e receber o carinho dos leitores é atitude de um democrata. Firmo aqui o propósito de seguir com o Diário de Bordo. Parabéns!

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