Blog da Petrobras – Fatos e Dados

Uma pergunta à Petrobras: Por qual motivo o blog foi colocado no endereço www.wordpress.com ?

Uma pergunta à Petrobras: Por qual motivo o blog foi colocado no endereço http://www.wordpress.com ?

A polêmica atual na mídia brasileira é sobre a decisão da direção da Petrobras em manter um blog (Blog da Petrobras) que tem por objetivo tornarem públicas as demandas dos jornalistas à Assessoria de Imprensa da companhia petrolífera. O impasse está justamente no fato de que, no mesmo instante em que o jornalista recebe as informações sobre indagações (aliás, digam-se de passagem que muitos questionamentos são “plantados” para ouriçar a CPI da Petrobras), o blog as publica dando “mais transparência” ao relacionamento com a mídia.

Isso tem sido rebatido com veemência pelos principais jornais – O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo – cujos profissionais teriam sido “vítimas” desta “armadilha” de comunicação. Ou seja, as questões levantadas para reportagens que iriam exclusivamente para um destes veículos de mídia ganharam o domínio público no blog, fato taxado de ação de “terrorismo de Estado” pelo professor titular de Filosofia e Ética da Unicamp Roberto Romano em entrevista hoje (10) na página 4 (O País) do jornal O Globo.

Se por um lado, o levante une os meios de comunicação, por outro é inegável e inquestionável a postura da Petrobras, detentora das informações. Isso merece uma reflexão mais profunda no instante em que alguns setores do jornalismo brasileiro, por exemplo, defendem que para o exercício da profissão não é necessário o diploma/curso de Comunicação Social em Jornalismo. Pelo visto, um advogado, um médico ou um engenheiro pode ser jornalista. Uma bagunça total.

Ao mesmo tempo, vale lembrar também que muitos profissionais exercem o cargo de repórter como se fossem especialistas em questões das mais diferentes. E assumem com postura de inquirir seus entrevistados. Na prática, funciona assim: o jornalista tem uma “denúncia” – muitas vezes colocadas pela parte interessada – e vai a campo transformá-la em verdade de acordo com o gosto do freguês.

Cito como exemplo fato ocorrido comigo quando era Assessor de Imprensa do STJ, em Brasília – 2002 a 2006. Um jornalista (prefiro não identificar ninguém) tinha em mãos um escândalo passado pelo Ministério Público. Às vésperas de publicar do “escândalo”, procurou a parte interessada. Digamos que isso ocorreu aos 45 minutos do segundo tempo da partida. Ou quem sabe nos acréscimos. Percebeu-se que, mesmo com as devidas explicações, a opinião estava formada. O que se decidiu naquele instante: tornarem públicas as respostas enviadas para aquele profissional. Isso foi colocado no sítio do tribunal.

E o que se viu foi um longo e demorado processo jurídico contra o periódico e o jornalista que ainda não sei como terminou.  O certo mesmo – isso é colocado pela Petrobras como defesa pela decisão do blog – é que as informações passadas não são usadas na íntegra, ou seja, aplicam-se apenas a parte que interessa. Além disso, na Língua Portuguesa não existe o verbo “despublicar”. Assim que a matéria é impressa não há como corrigi-la, a não ser nas sessões de cartas dos jornais, o que não surte o mesmo efeito.

Cito outro exemplo de discrepância. A Folha do último fim de semana publicou uma matéria sobre contratação de advogados pela Petrobras. A reportagem diz que um advogado ganhou mais de R$ 320 mil para emitir dois pareceres nos anos de 2007 e 2008.  Alegam os jornalistas que a companhia tem um quadro de 650 advogados. Só não explica o seguinte: os advogados concursados da Petrobras não se enquadram na demanda que a empresa tinha para emitir opinião sobre o tema em questão. Ou seja, necessitava de profissional de notório saber jurídico e ilibada reputação.

Tem um caso que é assim: um cidadão precisou de um parecer para um processo de sua empresa. Procurou o amigo, um dos melhores advogados da praça, e solicitou o parecer que lhe foi entregue numa lauda com logomarca do famoso escritório e a assinatura do jurista. O amigo agradeceu pelo “favor”, mas recebeu a informação do custo: R$ 100 mil. O amigo reclamou, taxou o advogado de mercenário e, num ato repentino, recebeu a folha de papel sem a logo do escritório e assinatura: “Para você isso é de graça!”.

Então, sem o aval do famoso advogado, aquilo jamais seria acolhido por quem o receberia: o juiz. Ou seja, o nome tem mais peso do que aquilo que foi escrito no parecer. Isso é uma realidade. Então, reportar um fato com pressupostos difusos é tentar confundir ou achar que o leitor é ignorante. Não estou aqui defendendo ninguém – nem possuo procuração para isso -, mas apenas chamando o assunto para debate, fato salutar num país democrático.

O tema é tão importante que, em minha opinião, deveria merecer uma ampla discussão na academia. Não com postura radical. Quando se radicaliza, perde-se a razão. E, o momento é para se ter bastante equilíbrio. A última pesquisa CNI/Ibope, divulgada ontem (9), tem uma parte que trata da percepção da população sobre o noticiário. Em junho, a criação da CPI da Petrobras mereceu 6% das indicações dos entrevistados (pesquisa espontânea) ocupando a sexta ou sétima posição no ranking.

Agora, o que não pode, por exemplo, é a Petrobras colocar no blog opiniões que avaliam ou fiam como corretas a postura estatal e os jornais direcionarem matérias com opiniões que “atacam” a decisão da companhia petrolífera. A guerra vai continuar. A seguir cenas dos próximos embates. No ar, nos jornais ou na rede mundial de computadores. Uma tese acadêmica a ser defendida ou atacada. Com as devidas vênias, claro!

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