A herança dos cartórios

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Dia desses conversava com um amigo aqui em Brasília. Ele me contou uma história que se passou com uma pessoa de seu círculo de amizade. Tratava-se do seguinte: o tal amigo herdou um cartório em Taguatinga, nas imediações do Plano Piloto. O posto de titular lhe caiu ao colo após o Poder Judiciário local ter afastado o antecessor por ausência ao posto ou negligência, não me recordo a justificativa correta. À frente da administração, o tabelião passou a faturar cerca de R$ 70 mil e, em pouco tempo, projetava renda mensal de R$ 100 mil. Algo que nenhum cidadão em perfeita consciência rejeitaria.

No entanto, o movimento para a reorganização dos cartórios neste País afora levou-o a devolver o posto. Olha, rei morto, rei posto! Creio que isso aconteceu em outros rincões. Mas, tenho também conhecimento da resistência dos hereditários e notórios que se julgavam no direito de manter a máquina de dinheiro. Poxa, é muita grana em jogo. Agora, me vem à cabeça um fato ocorrido em Santo Antônio de Pádua, interior do estado do Rio, quando uma jovem passou no concurso público e escolheu o cartório da cidade para assumir. Dizem que foi a maior pressão. Mas, não conheço o fim deste caso específico. A antiga família donatária continua com o mando do cartório na casa que pertenceu ao ex-prefeito Hamilton Leite.

Transportamos para os dias atuais. O amigo do amigo meu devolveu o cartório e se arrepende. Agora, o Congresso está para sacramentar essa hereditariedade e numa única tacada “abonar os notários”.  Editorial da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (30) diz que “A proposta de emenda à Constituição que efetiva titulares de cartórios não concursados tende a ser derrubada pelo Supremo Tribunal Federal caso seja aprovada pela Câmara, afirma Gilmar Mendes”. E segue: “O CNJ estima que existam cinco mil cartórios “biônicos” no País, cerca de um quarto do total.”

É! Vai ser mais uma queda de braços sem fim.

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3 Respostas to “A herança dos cartórios”

  1. raphaell Says:

    Esta hereditariedade nos cartórios tinha que acabar.Se passar pelo congersso ,tomara queo supremo derrube essa emenda.Aí eu pergunto onde ficarão os concursados?

  2. marcelo Says:

    Começou,realmente, mais uma queda de braços que está longe do final. Hoje estou nessa de aguardar os acontecimentos futuros.

  3. Victória Says:

    Espero que o Supremo acabe de vez com essa história da hereditariedade dos cartorios. Isto é uma vergonha!… Entretanto no Rio de Janeiro esta sendo feito por “concurso”. Quanto a grana lerda que ganham é verdadeira. Fala-se em não menos que 100 mil mensais…

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