Posts Tagged ‘John McCain’

Um negro americano

novembro 6, 2008

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A eleição de Barack Hussein Obama, um negro de 47 anos, deve merecer uma análise mais profunda quando acalmarem as comemorações da vitória. Para quem entrou na leitura dos jornais ou acompanhou os noticiários na reta quase que final da campanha não deve ter percebido ou compreendido como foi esse jogo político que permitiu e incendiou esta onda denominada “obamamania”.

Faço uma leitura livre, tendo por ótica o meu ponto de vista, sobre as eleições norte-americanas que resultou em 63.764.326 de votos e 349 delegados para Barack. Para começo de análise, recordo uma gafe do presidente George W. Bush, quando apresentado ao então senador Barack Obama. Naquele passado não muito distante, Bush pensou tratar-se de um legítimo Osama. Isso perseguiu Barack também nesta campanha de 2008.

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De eleições e fusões

novembro 4, 2008

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Não há espaço para mais nada. O noticiário na mídia brasileira, nesta terça-feira (4), está dominado por dois assuntos: as eleições nos Estados Unidos e a fusão do Itaú com o Unibanco. Esse mesmo espaço já vinha sendo demarcado, na noite passada (3), nos telejornais brasileiros.

Após 15 meses de negociações, os bancos Itaú e Unibanco anunciaram oficialmente a fusão. Com isso, abre-se o caminho para que o novo banco – ou a nova empresa, como queiram – se torne a quarta maior da América Latina. Há tempos corriam boatos de que o Unibanco estava mal das pernas.

Enquanto isso, outro tema em destaque é a eleição nos Estados Unidos. Os senadores Barack Obama e John McCain, postulantes à Casa Branca, estão sendo avaliados pelos eleitores norte-americanos. As pesquisas dão vantagem para Obama. Ocorre que na terra do Tio San, o processo eleitoral é bastante complicado e sujeito a fraudes no final.

As primeiras parciais da apuração indicam a vitória de Barack que, aliás, ontem (3), sofreu um abalo com a morte da avó materna Madelyn. Às vésperas da eleição, John percorreu sete estados, última cartada para tentar virar o jogo.

O 2º turno

outubro 13, 2008

O domingo (12) foi marcado pelos debates e pela volta do horário eleitoral gratuito. Tratou-se da retomada da campanha nas cidades que terão 2º turno. Em São Paulo, a Band trouxe o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a ex-prefeita Marta Suplicy (PT). As matérias dos jornais desta segunda-feira (13) informam que o embate foi marcado por ataques pessoais. Ou seja, os candidatos deixaram de lado as propostas e partiram para críticas aos adversários.

No Rio, nada tão diferente. Os deputados Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) duelaram na tela da Band. Até o dia 26 de outubro, quando os eleitores se reencontrarem com as urnas eletrônicas, parece que o baixo nível irá prevalecer.

Na campanha presidencial norte-americana, a candidatura do Republicano John McCain parece ter sofrido um revés. Os caciques do partido querem o fim dos ataques ao Democrata Barack Obama. Lá, a votação ocorre no dia 4 de novembro. E as pesquisas de opinião dão vantagem a Obama.

O vendaval

setembro 30, 2008

Um espirro nos Estados Unidos e os mercados internacionais foram varridos. As bolsas caíram, o barril do petróleo sofreu redução na cotação e o dólar subiuuuu. Porém, a manhã desta terça-feira (30) – último dia útil de setembro –, começa o processo de recuperação deste terremoto que provocou a quebradeira de bancos mundo afora. Muitos estão catando os cacos.

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O pacote

setembro 26, 2008

O presidente George W. Bush chamou à Casa Branca os candidatos Barack Obama (Democrata) e John McCain (Republicano) numa cartada para tentar aprovar o pacote de US$ 700 bilhões ao sistema financeiro-hipotecário dos Estados Unidos. E neste instante da queda de braços, McCain parece que tenta se desgarrar do parceiro Bush. O telespectador viu no Jornal Nacional, da Rede Globo, uma cena bem incomum para uma campanha eleitoral: os dois opositores sentados à mesa de negociação.

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McCain cai… e sai de cena

setembro 25, 2008

A queda de nove pontos percentuais na última pesquisa eleitoral levou o candidato do Partido Republicano, John McCain, à Presidência da República dos Estados Unidos a um providencial recuo. Com argumento de que necessitaria trabalhar junto ao Senado para aprovação do pacote de auxílio ao mercado hipotecário, McCain propôs ao opositor Barack Obama, do Partido Democrata, a suspender debate marcado para amanhã (26/9), em Oxford, Mississippi.

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A vice viu… a uva

setembro 24, 2008

Retomo um tema recorrente neste Diário de Bordo: eleições nos Estados Unidos. Candidata à vice-presidente da República, Sarah Palin, resolveu aprender com os líderes estrangeiros que estão em Nova York para a Assembléia Geral da ONU. Isso é que é assumir total inexperiência. Espera-se que os cidadãos norte-americanos entendam bem os currículos de pessoas que se lançam no papel de administrar o País.

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Obama arrecadou US$ 66 milhões

setembro 15, 2008

O senador Barack Obama, candidato do Partido Democrata à Casa Branca arrecadou US$ 66 milhões em agosto, o melhor desempenho na sua caminhada. Deste modo, Obama teve um excelente reforço de caixa faltando menos de dois meses para as eleições (4 de novembro) do sucessor de George W. Bush.

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A mudança pelo voto

agosto 29, 2008

Os Estados Unidos vivem um momento de consagração política. Após oito anos no poder, o ciclo de George W. Bush na Casa Branca está perto do fim. O Partido Democrata norte-americano vai com chances reais de bater John McCain nas urnas no dia 4 de novembro.  Ontem, o senador Barack Obama encerrou, com discurso empolgante, a convenção do partido em Denver, diante de 75 mil pessoas num estádio de futebol.

O Brasil vive um momento político que, embora não seja tão consagrador, levará a uma reflexão do eleitor que vai às urnas no dia 5 de outubro. As eleições municipais ocorrem até agora num clima de mesmice. Porém, o eleitor precisa estar consciente de que a mudança pode acontecer pelo voto. Nas urnas.

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Ingrid Betancourt e as Farc

julho 4, 2008
A ex-senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt continua a dominar o noticiário no Brasil e mundo afora. Hoje, Betancourt se encontra com o presidente da França, Nicolas Sarkozi, e Paris vive um clima de euforia em função da libertação da ex-senadora. Ontem à noite, o Jornal Nacional mostrou manifestação do povo parisiense em frente à sede da prefeitura onde há um enorme out-door com a imagem de Betancourt no cativeiro. Só que desta vez acrescentaram a palavra libertada.
E a leitura do material produzido pelos jornais, revistas e sítios tem sido rica e esclarecedora. Porém, quando fixo os olhos naquela imagem do out-door em Paris, a mesma que ganhou o mundo quando da libertação de Clara Rojas e outras pessoas em poder da guerrilha na selva colombiana, e a comparo com as imagens de Betancourt livre, busco entender aquilo que deve ter sido questionado por outros milhões de pessoas: Betancourt não estava doente? Autoridades e familiares disseram à época que ela tinha poucas chances de sobrevivência se continuasse em poder das Farc? Seria uma jogada para manter a mobilização? Isso deve ser esclarecido mais adiante, ou nas entrelinhas das reportagens extensas, ou em declaração da própria Betancourt a um jornalista bisbilhoteiro.
Voltemos ao ponto central dessa história que começa na campanha à Presidente da Colômbia em 2002. Naquela ocasião, a senadora Bitancourt era uma forte candidata ao cargo. De idéias inovadoras. Destemida. Empunhou a bandeira da moralização. Álvaro Uribe, que veio a ganhar a eleição, era outro candidato. Então, em plena campanha, os homens das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) seqüestraram Ingrid Betancourt.
O dia 23 de fevereiro de 2002 é bastante emblemático. Com 40 anos e agora em cativeiro no meio da selva, Betancourt saía da disputa. E naquele mesmo ano, Uribe veio a se eleger presidente da Colômbia. Não estou aqui fazendo qualquer ilação entre o seqüestro da então senadora com a eleição de Uribe. Mas este fato ainda precisa ser mais bem esclarecido.
Naquela mesma data, desta vez, na França, Jacques Chirac se consolidava em mais um mandato. Ele governou o país de 1997 a 2007. Saiu de cena no ano passado e transferiu a faixa para o eleito Nicolas Sarkozi. E quem era Sarkozi antes disso tudo: ministro do Interior da França. Outro personagem apareceu em cena nestes últimos anos de Chirac. Exatamente no hiato do seqüestro de Betancourt – período em que a ex-senadora esteve no cativeiro.
Trata-se de Dominique Villepin, então chanceler francês. O escolhido – segundo se sabe – entrou no circuito para libertar a franco-colombiana. Em seu currículo, o fato ter um “caso” com Ingrid quando era professor no Instituto de Estudos Políticos de Paris. E a família Betancourt sempre teve influência política. Astrid, irmã de Ingrid, era casada com o embaixador da França na Colômbia.
Nos bastidores do governo Chirac tramou-se uma operação para libertar Betancourt em plena selva amazônica. Com o sinal verde do governo francês, uma tropa de elite rumou para aquela região. Fez pouso em Manaus. Só não contava serem descobertos. Criou-se, então, uma crise diplomática. O governo brasileiro repudiou a operação. Descobertos na capital amazonense, a tropa de Chirac foi convidada a deixar o país. E a revista Carta Capital deu com exclusividade uma reportagem de Bob Fernandes com detalhes da operação que virou um fiasco.
E quem estava por trás da história? Há dicas de que seria Nicolas Sarkozy o vazador das informações. Ele teria motivos para o ato? Sim. Enquanto articulava sua candidatura à sucessão de Chirac, Sarkozy pensou nos loros que obteria se fosse o libertador de Bitancourt. Faz todo sentido. Hoje, Sarkozy recebe a ex-senadora e toda a família com pompa e tudo que tem direito.
Operação de resgate
A operação de resgate de Betancourt, três americanos e 11 militares colombiano é digna de filme de Hollywood. Pelo que foi contado até então, as Forças Armadas da Colômbia conseguiram infiltrar militares no núcleo das Farc que retinha os reféns. Isso teria ocorrido em fevereiro de 2007. O trabalho desse grupo foi justamente aglutinar os seqüestrados.
O que se sabe agora é que os Estados Unidos e Israel ajudaram no treinamento desta operação. A Colômbia teria pagado US$ 10 milhões a uma empresa privada de segurança israelense para tornar os militares colombianos mais capazes. Isso tudo é revelado por um general que comandou o serviço de inteligência israelense.
Tudo combinado. John McCain seguiu para a Colômbia. Um helicóptero descaracterizado pousou nas imediações onde estavam os guerrilheiros e os seqüestrados. Antes, o comando de terra havia convencido o algoz César – que era responsável pelos reféns no cativeiro – a transferir o grupo para outra região com o argumento de que o grupo seria apresentado ao novo líder das Farc Alfonso Cano.
Quando entrou no helicóptero, César foi rendido e o grupo – inclusive Betancourt – libertado. Ela – a ex-senadora – disse que a aeronave quase caiu. Todos comemoraram. Alguns minutos antes, quando verificaram que os “camuflados” de Uribe vestiam camisetas com foto estampada de Ernesto Che Guevara, o pensamento era de que seriam trucidados. Mas não foi bem isso que ocorreu.
E analistas políticos, jornalistas e outros especialistas no tema indagam inclusive sobre se houve certa conivência do líder Alfonso Cano para a Operação Xeque. E por qual razão o candidato de George W. Bush passeava pela Colômbia no mesmo dia da libertado dos seqüestrados? Assessores de McCain se apressaram em informar que tudo não passou de uma coincidência.
Essa é mais uma questão que precisa ser esclarecida. As lideranças da América do Sul – leia-se Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia) – atacaram Uribe por causa das estreitas relações com a Casa Branca. Então, seria justo convidar o candidato de Bush para a festa. Ou seria mesmo uma coincidência? Confesso que não acredito em papai Noel, nem em duendes…
Outro lado – o etnólogo
 
A cobertura do jornal O Estado de S. Paulo desta quinta-feira (4 de julho) se diferencia dos demais jornais apenas pelo artigo de Gilles Lapouge, correspondente em Paris. Ele nos conta que na semana passada o professor André-Marcel d`Ans pintou outro retrato de Ingrid Betancourt.
Na revista La Quinzaine Littéraire, o etnólogo baixou o pau na ex-senadora. Para começo de conversa, d´Ans diz que ela “era só uma boa vida”. Filha do diretor-adjunto da UNESCO em Paris, Betancourt passou “longos anos de opulência em residências suntuosas” e para os seus filhos “estudos em francês nos estabelecimentos freqüentados pelo jet set”.
E prossegue o artigo do professor francês: “Ela mergulha na política, na forma de uma esquerdista dândi, disposta a bater no peito, num gesto de mea culpa, desde que o peito não fosse o dela”. Ele trata – ou destila veneno – no que chamou de viagem a Paris para o lançamento da biografia La Rage au Coeur (A raiva do coração), que Lionel Duroy teria escrito para Bitancourt. A viagem ocorreu em dezembro, a seis meses da eleição e a dois meses de seu seqüestro.
A ira de André-Marcel d’Ans é o outro lado dessa história. Que outros casos possam ser narrados.
Pelos simpatizantes, ou pelos opositores (como é o caso do professor). O certo mesmo é que Betancourt ganhou força política. Prestígio internacional. Se conseguir o objetivo de consolidar a paz e a deposição de armas pelos integrantes das Farc será séria candidata ao Prêmio Nobel, no fim do ano, em Oslo.
Enquanto isso, fica a minha torcida para que ela escreva um livro e que, a partir disso, os produtores cinematográficos decidam transformar o assunto num belo filme. Vale aguardar e conferir.