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Marina se libertou!

maio 14, 2008

A data não poderia ter sido melhor: 13 de maio. No Brasil, os sítios tocavam em assuntos referentes à Lei Áurea. Como ocorrem todos os anos nesta data há sempre uma pesquisa pronta saindo do forno para as comparações. Uns dizem que há mais negros do que brancos no Brasil. Outros comentam a desigualdade salarial. Outros ainda contam as dificuldades pelas quais passam os da raça negra para chegarem ao topo das grandes empresas.

O dia parecia acabar nesta mesmice quando surgem as primeiras informações sobre a carta que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, havia encaminhado para o Palácio do Planalto com o pedido irrevogável para deixar o governo. Liderança reconhecida mundialmente pela defesa da Amazônia, região que conhece tão bem desde os tempos de Chico Mendes, assassinado barbaramente em Xapuri, no Acre, Marina se libertou. Livrou-se das amarras do governo que a colocou, neste tempo todo, na “senzala” do esquecimento. Foi mais uma vítima da fritura em fogo brando da Esplanada dos Ministérios.

Não quero, aqui neste blog, tomar partido do grupo político de fulano ou de beltrano. A notícia, que para muitos foi uma surpresa, deve ter sido bastante comemorada nos latifúndios do nosso Brasil. Afinal, Marina comprou muitas brigas. De saúde frágil, a doce mulher tomou decisões firmes contra crimes ambientais. E se o povo não se sensibilizou, a natureza será eternamente grata por isso.

Tenho uma posição bastante clara sobre as catástrofes que ocorrem mundo afora. O homem, agressor contumaz do meio ambiente, despeja todos os dias milhares e milhares de toneladas de lixo (isso para não dizer outras coisas). Os governos promovem testes nucleares. Empresas avançam sobre as margens de rios em busca de terra para ampliar suas construções. E o resultado disso tudo: um dia a natureza cobra esta conta. Vem com toda força para cima de nós. São enchentes, terremotos, furacões que desalojam e matam milhares de cidadãos.

No Pará, território de ninguém, os conflitos são constantes pela posse de áreas com o objetivo de derrubada da madeira bem na floresta tropical. O pulmão do mundo enfraquece. Trava-se uma disputa nos bastidores. Vencem os poderosos. É guerra quase silenciosa, pouco perceptível aos moradores do Sul, é apenas mais um capítulo daquilo que se tem feito com o Brasil.

Na mesma região, em Roraima, numa imensa área chamada de Raposa Serra do Sol se constata mais um embate. Ações da Polícia Federal, prisões de grileiros, atentado contra os índios. Todos os ingredientes têm servido para sustentar a mídia nacional e com algum impacto em redações no exterior. Marina se foi. Deve ser substituída pelo “guerrilheiro” Carlos Minc, defensor das causas ambientas urbanas do Rio de Janeiro.

Dentro dos próximos dias – se for confirmada a nomeação de Minc – devemos ter posse no Planalto. .Mobilização de ONGs que apóiam o secretário fluminense. Menos frágil do que Marina, ele deve saber do pepino que está pegando. Das novas brigas que terá pela frente. Ceder ou não ceder às futuras pressões será a grande questão. Ou então acabará na mesma frigideira, com óleo de soja (pois os outros óleos estão tão caros), em fogo brando. E assim se destrói a biografia das pessoas. 

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